Após culto com Malafaia, órgão pede inelegibilidade de Flávio Bolsonaro

No decorrer do rito, o líder religioso manifestou-se abertamente, afirmando que “é o tempo de apoiar o Flávio para presidente”, enquanto proferia ataques à Suprema Corte

05/05/2026 às 14h19
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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ADVEC/Reprodução
ADVEC/Reprodução

Na última segunda-feira (4), a Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro recebeu uma queixa formal protocolada pelo Movimento Brasil Laico. A representação foca em um episódio ocorrido no domingo (3), envolvendo o pastor Silas Malafaia e o parlamentar Flávio Bolsonaro durante cerimônia na ADVEC.

No decorrer do rito, o líder religioso manifestou-se abertamente, afirmando que “é o tempo de apoiar o Flávio para presidente”, enquanto proferia ataques à Suprema Corte. O encontro serviu de palco para diversas figuras políticas, incluindo Cláudio Castro, Douglas Ruas, Marcelo Crivella e Sóstenes Cavalcante.

A entidade busca a aplicação de sanções rigorosas:

  • Aplicação de sanção financeira de 25 mil reais por divulgação eleitoral imprópria.

  • Cassação do direito de se candidatar por um período de oito anos para os participantes citados.

  • Investigação fiscal sobre o uso indevido das finalidades institucionais da igreja junto aos órgãos fazendários.

A peça jurídica detalha que a prece coletiva e as falas partidárias de Malafaia caracterizam o uso de patrimônio comum para fins eleitoreiros, além de configurarem exploração da influência espiritual e contribuições proibidas por organizações religiosas. A tese central é que a ida dos políticos à igreja não visava a fé, mas sim o proveito político: “Foi exclusivamente para receber publicidade eleitoral por meio da autoridade pastoral de Malafaia e da infraestrutura institucional da ADVEC, obtendo acesso privilegiado a uma base de fiéis que não é sua congregação natural”.

Conflito entre Fé e Política

Amparada na legislação vigente, a denúncia recorda que locais de culto são bens de uso público e, portanto, imunes à propaganda. O apoio de um líder como Malafaia, com 149 unidades religiosas em diversos estados, é interpretado como uma “doação estimável em dinheiro”.

Leandro Patricio da Silva, à frente da organização, defende que o amparo legal à espiritualidade não permite “a fraude à lei eleitoral praticada sob o manto de uma oração”. Ele alerta para uma tendência perigosa de invasão religiosa em esferas civis, declarando que: “É inaceitável isso. Temos visto uma epidemia generalizada de ocupação, a todo custo, de diferentes espaços da sociedade – de universidades e escolas à política institucional”.

Vale ressaltar que o senador Flávio Bolsonaro é reincidente em questionamentos dessa natureza, tendo sido alvo anterior por uma situação análoga sob a condução do pastor José Wellington da Costa.

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