Lula deve pedir ajuda ao Trump sobre prisão de empresário brasileiro; entenda

A estratégia do Planalto, segundo conselheiros do governo, é inserir o caso de Magro em um debate mais amplo sobre o enfrentamento às redes criminosas que operam no Brasil

06/05/2026 às 10h14
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Presidentes Donald Trump e Lula - Reprodução: Ricardo Stuckert/PR
Presidentes Donald Trump e Lula - Reprodução: Ricardo Stuckert/PR

Na agenda oficial dessa próxima quinta-feira (7), em Washington, o mandatário brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, deve pedir ao presidente, Donald Trump, o suporte norte-americano para a prisão de Ricardo Magro. O empresário, figura central do grupo Refit e detentor da refinaria fluminense de Manguinhos, reside em Miami há anos, sob a mira de investigações que apontam fraudes bilionárias no setor energético.

A estratégia do Planalto, segundo conselheiros do governo, é inserir o caso de Magro em um debate mais amplo sobre o enfrentamento às redes criminosas que operam no Brasil. O assunto ressoa com as prioridades atuais de Washington, visto que os EUA cogitam rotular grupos como o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas.

Com esse movimento, o Executivo brasileiro almeja sinalizar que a atual gestão foca no "andar de cima" da criminalidade. O objetivo é demonstrar rigor contra a corrupção estrutural e sofisticada, fortalecendo o discurso governamental no setor de segurança pública.

O Histórico de Investigações

A Refit tornou-se o epicentro de uma crise após a deflagração da operação Carbono Oculto, executada pela Polícia Federal (PF). Na ocasião, as atividades da refinaria foram suspensas pela agência reguladora do setor (ANP). Os investigadores sustentam que a empresa operava um complexo mecanismo de lavagem de dinheiro e sonegação de impostos, utilizando-se de:

  • Empresas fantasmas;

  • Fundos de investimento;

  • Estruturas financeiras no exterior (offshores) ligadas a facções.

O Outro Lado: Defesa e Status Legal

Apesar da gravidade das suspeitas, o cenário jurídico de Ricardo Magro possui particularidades. Atualmente, ele permanece em solo americano de forma lícita, sem registros de alerta na Interpol ou ordens de prisão vigentes.

O empresário refuta veementemente as acusações, alegando ser vítima de acusações infundadas. Em declarações dadas à Folha de S. Paulo, ele assegurou que suas companhias não burlam o fisco, mas apenas questionam administrativamente as cifras exigidas pela autoridade tributária, mencionando, inclusive, ser alvo de intimidações.

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