
O chefe do Executivo paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos), rebateu nessa última terça-feira (5) às falas de seu rival, Fernando Haddad (PT). Em entrevista recente ao Metrópoles, o petista rotulou o governador como um aliado dependente do presidente dos EUA, Donald Trump, gerando um forte mal-estar diplomático e interno.
Durante compromisso oficial no Palácio dos Bandeirantes, Tarcísio minimizou as acusações de que sua gestão estaria atrelada a interesses estrangeiros. O governador focou na produtividade de sua administração para rebater o adversário:
“O que tem a ver o Estado de São Paulo com o Trump? A gente não faz política externa aqui. Ele tem que parar de falar bobagem. Não trabalhou durante os três anos e agora quer ficar falando besteira. Todo dia fala uma bobagem e todo dia a gente está aqui fazendo uma entrega. A diferença é essa. Para ficar claro para o cidadão de São Paulo qual é a diferença de projetos”, declarou Freitas.
A irritação dele é fruto de declarações de Haddad, que o acusou de ser conivente com o protecionismo americano. Segundo o petista, o governador teria sido “submisso ao Trump”, alegando que Tarcísio não possui “opinião própria nem tamanho para dizer para o Trump ‘você está errado nisso’”. Haddad ainda ironizou a postura do republicano, afirmando que ele “estava com o chapeuzinho do MAGA (Make American Great Again)” enquanto a economia local sofria com sobretaxas.
O ponto central da discórdia envolve a possível classificação do PCC como grupo terrorista por Washington, ideia apoiada por Tarcísio e ridicularizada por Haddad. Para o ex-ministro da Fazenda, a concordância do governador é automática: “Se (o Trump) falar que (o PCC) é alienígena, ele [Tarcísio] também vai achar. Vai dizer ‘o PCC é de outro planeta, conforme o Trump está dizendo’”. Haddad sustenta que essa postura serve apenas para alimentar uma “seita que apoia ele”.
O confronto escalou para a área econômica após Haddad sugerir que o estado de São Paulo enfrentava escassez de recursos. Tarcísio, em coletiva após anunciar melhorias em rodovias, foi irônico ao comentar a competência fiscal do rival:
“Só faltava o Haddad vir falar de política fiscal sobre o São Paulo. Está de brincadeira. O cara que quebrou o Brasil vai falar do Estado de São Paulo. Eu teria vergonha de falar um negócio desse”.
O governador paulista listou o que considera falhas graves na gestão federal de Haddad, disparando contra os indicadores atuais:
Elevação da relação dívida/PIB;
Pressão tributária recorde;
Alta nos juros reais e endividamento das famílias.
“E esse cara realmente quer falar de fiscal? Faça-me o favor. Dá um tempo”, finalizou Tarcísio, consolidando a ruptura total de diálogo entre as duas esferas de poder.