
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), subiu o tom nessa última terça-feira (5) às críticas do ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), sobre a gestão das contas paulistas. Indignado, Freitas classificou a postura do petista como reflexo de "muita cara de pau", apontando que a marca de Haddad na economia federal é "a maior carga tributária da história".
Durante evento oficial, o chefe do Executivo paulista celebrou o fato de o estado possuir “condições de ter o maior orçamento de investimento da história”. Ele rebateu diretamente as suspeitas levantadas pela oposição sobre o equilíbrio das contas estaduais:
“É engraçado que quem questiona a saúde financeira do Estado de São Paulo foi justamente quem deixou como legado sete pontos de elevação da relação dívida/PIB. Deixou como legado uma massa de inadimplentes, deixou como legado o recorde de recuperações judiciais”, destacou.
Tarcísio não poupou o rival ao mencionar a atual conjuntura nacional, citando os juros reais elevados e o custo do endividamento: “É muita cara de pau, depois do desmantelo fiscal, a gente pagar R$ 1 trilhão de dívida, depois da nossa relação dívida/PIB subir tanto, querer falar de conta pública. Faça-me um favor. Está na hora de dar o cartão vermelho para essa turma. Eles não vão voltar nunca mais”, disparou.
A fúria do governador foi motivada por uma entrevista de Haddad ao portal Metrópoles, na qual o petista afirmou que “São Paulo está sem caixa”, apesar de o atual governo “ter recebido do governo anterior um volume de recursos em caixa”.
O ex-ministro também lançou duras críticas à privatização da Sabesp, alegando que a venda ocorreu para evitar um cenário financeiro “ainda pior”, e comparou a atual administração paulista à gestão de Luiz Antônio Fleury nos anos 90, classificando-a como a mais deficitária desde então.
Em nota oficial, a equipe de Fernando Haddad rebateu os ataques, afirmando que a gestão Bolsonaro entregou ao governo Lula um orçamento irreal, com um rombo que, somado a dívidas não pagas, superava os R$ 200 bilhões. Segundo ele, Tarcísio utiliza a mesma estratégia de seu mentor político: "O que o governador Tarcísio de Freitas está fazendo em São Paulo é o que seu padrinho fez no plano federal".
Haddad detalhou sua visão sobre as finanças paulistas, contestando o otimismo do governador:
Caixa Líquido: O ministro sustenta que o saldo real de São Paulo é de apenas R$ 5,4 bilhões após o desconto de obrigações contratadas.
Resultado Primário: Afirma que o estado vive seu pior desempenho orçamentário histórico.
Conclusão: Segundo o petista, "estão destruindo as finanças do Estado e a situação só não está pior por causa da ajuda do governo Lula ao estado e da venda de patrimônio público em certames duvidosos".