Defesa de Carla Zambelli enfrenta nova batalha sobre extradição da Itália

A ofensiva do corpo jurídico fundamenta-se na interposição de novos recursos, colocando sob suspeita o rigor técnico e a agilidade dos trâmites europeus

07/05/2026 às 16h33
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Carla Zambelli - Reprodução: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
Carla Zambelli - Reprodução: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Os advogados de Carla Zambelli intensificaram suas movimentações no Judiciário da Itália, em uma tentativa derradeira de bloquear a repatriação forçada da ex-parlamentar. O embate ganha novos contornos após o Tribunal de Apelação de Roma ratificar, em duas ocasiões distintas, o parecer favorável para que ela seja reconduzida ao Brasil.

A ofensiva do corpo jurídico fundamenta-se na interposição de novos recursos, colocando sob suspeita o rigor técnico e a agilidade dos trâmites europeus. O objetivo principal é invalidar as solicitações enviadas pelo governo do Brasil, sob a tese de que existem lacunas normativas que inviabilizariam a custódia imediata.

A análise da Justiça italiana debruça-se sobre dois eixos principais:

  1. A responsabilização criminal pela intrusão ilícita nos bancos de dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

  2. A sentença definitiva proferida pela Suprema Corte brasileira referente ao porte irregular de armamento.

Nesse último episódio, a ex-deputada recebeu uma pena superior a cinco anos de reclusão devido ao incidente de 2022, no qual perseguiu um cidadão em plena via pública de São Paulo, às vésperas das eleições.

Diferenças Legislativas e Prisão

Os defensores alegam que as discrepâncias entre os códigos penais de ambos os países, especialmente na tipificação de certas condutas, deveriam impedir o processo. Além disso, contestam o que classificam como um ritmo de julgamento excessivamente célere na Europa.

Zambelli encontra-se encarcerada em Roma desde o ano passado, após sua fuga do Brasil e subsequente inclusão no alerta máximo da Interpol. Até o momento, todos os pleitos para que ela respondesse ao processo em liberdade foram indeferidos pelos magistrados italianos.

Embora o Judiciário local sinalize favoravelmente à extradição, o desfecho não é automático. Uma vez finalizada a fase de recursos nos tribunais, a decisão suprema será de cunho político, cabendo ao Ministério da Justiça da Itália a assinatura final para a entrega da ex-parlamentar às instituições brasileiras. O confronto jurídico permanece aberto, com a defesa esgotando todas as possibilidades para evitar o retorno.

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