
A atual gestão de Lula (PT) ostenta métricas econômicas impressionantes: o desemprego atingiu mínimos históricos e o Produto Interno Bruto (PIB) registrou altas consecutivas de 3,2%, 3,4% e 2,3% entre 2023 e 2025, batendo as expectativas globais. Contudo, esse vigor estatístico não ecoa no sentimento popular. Em março, uma sondagem Ipsos-Ipec revelou que 42% dos cidadãos viam uma regressão econômica, contrastando com meros 27% que sentiam progressos.
Essa "desconexão" entre o desempenho econômico do governo com a popularidade da atual gestão pode ser decifrada através de cinco pilares fundamentais:
O maior adversário do atual governo é a lembrança do próprio "Lula 1 e 2". Naquela época, o salário mínimo saltou 53% em termos reais, e a renda dos mais pobres subia a 5% ao ano. Hoje, embora a desigualdade ainda caia, o ritmo é mais lento, e o brasileiro médio usa o padrão áureo dos anos 2000 como régua, sentindo que a promessa de "voltar a comer picanha e tomar cervejinha" ainda pesa no bolso.
Embora o índice inflacionário tenha recuado para 4,1%, o consumidor não consome "taxas", mas "preços". O valor nominal dos alimentos na prateleira não regrediu aos níveis pré-pandemia. Para quem ganha pouco, a deflação de um indicador não anula o choque de ver o corte de carne popular custando 30% a mais do que há dois anos.
O Brasil enfrentou uma "década perdida" entre 2014 e 2022, com encolhimento do PIB per capita. A base da pirâmide social hoje sobrevive com apenas 80% do poder de compra que detinha há dez anos. Assim, o crescimento atual de 3,5% na renda dos mais necessitados é percebido apenas como um paliativo, não como bonança.
Antigamente, a comparação social era com o vizinho; hoje, é com o feed do Instagram e do TikTok. Plataformas como Shein e Shopee democratizaram o vocabulário visual do luxo, criando uma "janela de aspiração" global. Quando o governo impôs a "taxa das blusinhas", ele não apenas tributou mercadorias, mas feriu o acesso simbólico de milhões de brasileiros ao consumo de identidade, gerando um profundo ressentimento digital.
O descompasso entre o que se ganha e o que se deseja consumir empurrou 77% das famílias para o endividamento. Nesse cenário de asfixia financeira, as bets (apostas online) surgiram como uma esperança ilusória de renda extra, corroendo o orçamento doméstico. O endividamento, portanto, é o sintoma final de um país que cresce nos gráficos, mas que ainda não devolveu ao cidadão a sensação subjetiva de que a vida, de fato, melhorou.