
Detentor do segundo maior colégio eleitoral do país, Minas Gerais carrega o título de fiel da balança nas sucessões presidenciais. O histórico é implacável: desde o pleito de 1989, nenhum candidato chegou ao Planalto sem triunfar em solo mineiro. Na última disputa, a margem foi apertadíssima: Lula (PT) venceu Jair Bolsonaro (PL) por uma diferença inferior a 50 mil votos. Faltando cinco meses para a nova ida às urnas, o cenário no estado permanece um verdadeiro quebra-cabeça.
No campo oposicionista, o Partido Liberal ainda busca um nome para ancorar a campanha de Flávio Bolsonaro na região. Uma reunião crucial em Brasília, envolvendo Valdemar Costa Neto e expoentes da bancada mineira, como Nikolas Ferreira, deve definir o rumo da legenda.
As alternativas sobre a mesa incluem:
Aliança com o Executivo: Um pacto com o governador Mateus Simões (PSD), que poderia contar com o apoio de Romeu Zema (Novo), caso este desista de suas ambições presidenciais.
Candidatura Própria: Os nomes dos empresários Flávio Roscoe e Vittorio Medioli aparecem como opções, embora o baixo desempenho de Roscoe nas sondagens recentes atue como um freio.
Enquanto isso, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) lidera as intenções de voto, mas mantém o mistério sobre sua participação até julho. Sua possível candidatura gera atritos internos no PL, especialmente com Nikolas Ferreira, que demonstra resistência ao colega de espectro político.
Do lado governista, o presidente Lula concentra esforços para viabilizar a candidatura de Rodrigo Pacheco (PSB) ao governo mineiro. O petista vê no ex-presidente do Senado a peça-chave para garantir um palanque robusto em MG.
Entretanto, ruídos de comunicação surgiram após a rejeição de Jorge Messias para o STF no Senado, levantando suspeitas entre petistas sobre a atuação de Pacheco. O senador tem até o fim de maio para selar sua decisão, justificando a demora por questões pessoais e partidárias.
“Não ficou nenhum clima em relação à derrota do Messias. Falei com ele [Pacheco] nos últimos dias. Ele me disse que apoiou a indicação, e eu confio. Também agradeceu pela paciência em relação ao anúncio da candidatura”, declarou o deputado Rogério Correia, tentando dissipar as incertezas.
Caso Pacheco decline, o PT trabalha com o empresário Josué Gomes e o ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT) como planos de contingência. Kalil, que ostenta bons índices nas pesquisas, já garantiu que disputará o governo estadual, descartando o Senado por razões familiares:
“A única certeza é que serei candidato ao governo de Minas. Claro que os números me elegeriam senador, mas eu não vou porque não consigo ficar uma semana inteira sem meus netos. Não vou ficar pegando avião para ir para Brasília. A não ser que meus filhos queiram me dar eles, e eles não querem”, afirmou Kalil.
Para o cientista político Murilo Medeiros (UnB), Minas Gerais funciona como o "swing state" nacional, um território onde a indefinição eleitoral impera e a vitória é indispensável para quem almeja o comando do país. "Com a direita dividida e a esquerda sem um palanque competitivo, o quadro eleitoral está completamente aberto", conclui o especialista.