
Após um período de quase 30 dias sob custódia na Penitenciária II de Mirandópolis, no interior paulista, o artista MC Ryan SP obteve o direito de retornar à liberdade. Conforme informações obtidas pelo portal Metrópoles, o cantor será liberado nesta quinta-feira (14), graças a um habeas corpus expedido pela Justiça Federal. O músico é um dos focos de uma investigação que apura uma gigantesca rede de lavagem de dinheiro.
A ordem que autorizou a saída foi proferida pela desembargadora Louise Filgueiras, pertencente ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3). O benefício jurídico foi estendido também a Henrique Alexandre Barros Viana, o “Rato”, gestor da Love Funk e alvo da Operação Narco Fluxo, além de outros citados no inquérito.
Contudo, o retorno à liberdade não é pleno. A juíza impôs restrições rigorosas, tais como:
Retenção do passaporte;
Impedimento de travessia de fronteiras nacionais sem prévia anuência da Corte.
A magistrada aplicou ao funkeiro o mesmo entendimento jurídico dado anteriormente ao empresário “Rato”, que já havia garantido o direito de responder ao processo fora da prisão na última segunda-feira (11).
As apurações conduzidas pela Polícia Federal sugerem que o esquema utilizava uma instituição de pagamentos gerida por cidadãos de origem chinesa. Essa estrutura servia para o fluxo de montantes exorbitantes oriundos de apostas sem registro, sorteios não autorizados e outros delitos correlatos.
Movimentação Suspeita: A firma Golden Cat Processamento de Pagamento, estabelecida no ABC Paulista, teria gerido o montante de R$ 1,2 bilhão em um intervalo de apenas 90 dias (entre junho e agosto de 2024).
Irregularidade: O grupo operava sem o aval do Banco Central, funcionando como um mecanismo para fragmentar e camuflar o rastro dos ativos financeiros, utilizando frequentemente empresas de fachada para ludibriar a fiscalização.
O esforço policial mobilizou um contingente superior a 200 agentes, que executaram dezenas de mandados de prisão e buscas em nove estados e no Distrito Federal. A dimensão do crime é alarmante: o magistrado Roberto Lemos dos Santos Filho estima que o grupo possa ter movimentado a cifra astronômica de R$ 260 bilhões.
Além de MC Ryan SP, figuram entre os detidos nomes como MC Poze do Rodo e o proprietário do perfil Choquei, Raphael Sousa.
O Poder Judiciário decretou o congelamento de ativos que podem chegar a R$ 2,2 bilhões especificamente ligados ao Ryan. No total, 77 entidades e indivíduos sofreram bloqueios. Segundo o despacho, o cálculo do prejuízo leva em conta o “Tráfico internacional de mais de três toneladas de cocaína, somado ao fluxo financeiro identificado nos relatórios de inteligência financeira encaminhados pelo Coaf”.
As autoridades agora focam na apreensão de bens de luxo, armamentos e eletrônicos para robustecer as provas. Os envolvidos podem enfrentar condenações por lavagem de dinheiro, evasão de divisas e formação de quadrilha.