Trump ficou 'chocado' ao saber que Lula recusou tornozeleira eletrônica, afirma ministro

A conversa, ocorrida nos bastidores da reunião oficial da última semana, desviou da pauta econômica para um campo estritamente pessoal

14/05/2026 às 12h24
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: TV Brasil
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Presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva - Reprodução: Ricardo Stuckert/PR
Presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva - Reprodução: Ricardo Stuckert/PR

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, revelou terça-feira (12) detalhes de um diálogo atípico entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Segundo o ministro, em entrevista ao programa “Na Mesa com Datena”, da TV Brasil, o líder republicano demonstrou choque ao saber que o petista abriu mão de benefícios penais, como o uso de tornozeleira eletrônica, durante sua prisão no âmbito da Operação Lava Jato.

A conversa, ocorrida nos bastidores da reunião oficial da última semana, desviou da pauta econômica para um campo estritamente pessoal. Trump buscou compreender a resiliência do brasileiro ao longo dos mais de 500 dias de detenção em Curitiba (PR). Em resposta, Lula afirmou ter encarado o processo com equilíbrio e respeito às normas vigentes, apesar de contestar a validade da sentença.

Ao detalhar sua postura na época, Lula teria disparado a seguinte frase, conforme Durigan: “Você sabe que eu passei o tempo preso e até me ofereceram botar tornozeleira? Não, eu não sou pombo para ficar colocando tornozeleira em nada. Vou mostrar minha inocência”.

A analogia do “pombo”, frequentemente utilizada pelo presidente para desqualificar o tratamento recebido pela força-tarefa de Curitiba, serviu para ilustrar sua recusa em aceitar a liberdade vigiada em troca de reconhecer a culpa. A reação do americano foi de surpresa diante da obstinação do colega brasileiro. Ao comentar o caso com sua equipe, o republicano teria afirmado:

“Isso aqui é uma figura única. Isso não é comum. A pessoa ficar presa e não aceitar a liberdade a qualquer custo e querer demonstrar a inocência”.

O encontro também abriu espaço para o compartilhamento de lutos. Lula relembrou o falecimento da ex-primeira-dama Marisa Letícia no decorrer das investigações, momento que gerou comoção em ambos os líderes. Em contrapartida, Lula indagou sobre Melania Trump, ao que o republicano respondeu que ela “anda muito bem” e “está virando estrela de cinema”.

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A trajetória que levou Lula à sede da Polícia Federal em 2018 baseou-se em acusações de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do imóvel no Guarujá. A condenação original, assinada por Sergio Moro e ratificada pelo TRF-4, retirou o petista da corrida eleitoral daquele ano.

Entretanto, o cenário sofreu uma reviravolta em 2021. O Supremo Tribunal Federal invalidou as sentenças ao identificar que o foro paranaense era incompetente para julgar tais processos. Além disso, a Suprema Corte apontou a suspeição do magistrado responsável pelo caso, o que restaurou a elegibilidade de Lula e pavimentou seu caminho para a vitória nas urnas em 2022.

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