
Enquanto o Brasil registrou o maior percentual de estudantes matriculados em tempo integral no último ano, Minas Gerais registrou um declínio superior a 40% nessa categoria entre os anos de 2022 e 2025, sob a administração de Romeu Zema (Novo) e Mateus Simões (PSD).
As estatísticas do Censo Escolar 2025 revelam que, em termos quantitativos, a rede estadual viu o total de colégios públicos com essa jornada encolher de 1,2 mil para apenas 813 em um intervalo de quatro anos. O volume de alunos inscritos acompanhou a retração, despencando de 127,6 mil para 93 mil no mesmo período. O cenário distancia o estado das diretrizes do Plano Nacional de Educação (PNE), que estipula a oferta da modalidade em, no mínimo, 50% das unidades de ensino públicas.
Enquanto estados como o Piauí atingiram a marca de 100% de cobertura integral, o território mineiro caminha em sentido oposto ao progresso observado especialmente na região Nordeste.
Denise de Paula Romano, à frente da coordenação do Sind-UTE/MG, enfatiza que esses números expõem a fragilidade do setor no estado.
“Em vez de avançar, os indicadores retrocederam de forma significativa, revelando um grave descumprimento dos dispositivos previstos. A queda comprometeu a expansão planejada e afastou o estado das metas estipuladas. Esse atraso evidencia que o tempo integral ainda não foi consolidado como política pública estruturante, permanecendo vulnerável a cortes e instabilidades”, aponta a dirigente.
O coletivo de oposição na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Bloco Democracia e Luta, também manifestou repúdio, afirmando que os dados “escancaram o desmonte da educação pública” em solo mineiro. O grupo ressaltou as consequências práticas dessa redução:
“Enquanto o governo Zema/Simões corta oportunidades, milhares de estudantes da rede pública perdem acesso à alimentação, atividades culturais, esportivas e formação complementar. Menos investimento na educação significa mais desigualdade, mais evasão escolar e menos futuro para a juventude mineira”, alertaram os parlamentares.
Amparada pela Lei de Diretrizes e Bases (LDB), a educação de período integral é vista não apenas como um objetivo numérico, mas como um paradigma de evolução pedagógica. O conceito pressupõe que o tempo extra na escola favorece o crescimento intelectual aliado ao amadurecimento emocional, cultural e social do jovem.
Além de democratizar o acesso ao saber, o modelo funciona como uma rede de proteção para estudantes em condições de fragilidade social, garantindo-lhes segurança, nutrição adequada e suporte especializado em um ambiente formativo.