
Após a exposição de diálogos entre o pré-candidato ao Planalto, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, envolvido no Caso Master, o parlamentar mudou o discurso. Em fala à GloboNews, ele manifestou o desejo de que, “se Deus quiser”, o colega Ciro Nogueira (PP-PI) consiga atestar sua inocência perante a justiça.
Essa nova postura surge após uma tentativa de afastamento estratégica ocorrida na última semana. Logo que o presidente do Progressistas se tornou alvo de diligências da Polícia Federal (PF) no âmbito das apurações sobre o Banco Master, o filho do ex-presidente buscou desvincular sua imagem da dele.
De acordo com informações do Valor, líderes da aliança União-PP no Legislativo apontam que a revelação da proximidade entre o senador fluminense e Vorcaro gerou um desgaste considerável para suas pretensões eleitorais. O incômodo se acentuou pelo fato de Flávio ter tentado, inicialmente, "soltar a mão" de Ciro. Para esses articuladores, o episódio impactará negativamente o eleitorado volúvel, ressaltando que “ficou muito feio para o Flávio” renegar o aliado publicamente apenas para, logo em seguida, ver seus próprios vínculos com o mesmo pivô do escândalo virem à tona.
O imbróglio colocou o senador em uma saia justa retórica: como manter a bandeira da ética e tentar vincular o caso ao PT, sem implodir a ponte com o PP? A legenda de Nogueira é peça-chave no xadrez eleitoral devido à sua abrangência e generosa parte no horário gratuito de TV.
Em um primeiro momento, a reação de Flávio foi combativa. Através de mídias digitais, ele exaltou a atuação do ministro André Mendonça, clamou pela abertura de uma CPI e defendeu “uma ampla apuração”, classificando o conteúdo das investigações como “graves”, embora evitasse pronunciar o nome de Ciro.
Entretanto, o tom beligerante deu lugar à cautela. Com a própria conduta sob os holofotes, o parlamentar agora recalcula a rota, torcendo publicamente para que o líder partidário apresente uma defesa robusta.