
Metade dos cidadãos do país avalia como crucial a indicação de uma mulher para ocupar a cadeira vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). O dado foi revelado por um novo estudo estatístico do Datafolha publicado na segunda-feira (18). Atualmente, o plenário de dez magistrados conta com apenas uma representante do sexo feminino, a ministra Cármen Lúcia. O diagnóstico aponta ainda que 18% enxergam relevância moderada nessa escolha, enquanto 27% desconsideram o peso desse fator.
Quanto à representatividade racial, a indicação de um magistrado negro é classificada como primordial por 46% dos entrevistados. Outros 16% julgam o critério razoavelmente relevante e 34% desconsideram sua necessidade. No atual desenho da Corte, somente os ministros Kássio Nunes Marques e Flávio Dino se identificam como pardos.
O quesito espiritualidade também divide opiniões: para 46% dos cidadãos, o ideal é que o próximo integrante do tribunal possua convicções religiosas fortes, contra 20% que atribuem pouca relevância a esse traço.
O levantamento estatístico coletou as percepções de 2.004 eleitores em 139 cidades brasileiras, ao longo dos dias 12 e 13 de maio. A amostragem apresenta variação máxima de dois pontos percentuais, apresentando registro oficial junto à Justiça Eleitoral sob o código BR-00290/2026.
O posto de número 11 do tribunal permanece vago desde o desligamento por tempo de serviço do ministro Luís Roberto Barroso, ocorrido em outubro do ano passado. O chefe do Executivo, Luiz Inácio Lula da Silva, tentou emplacar o chefe da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, mas a indicação acabou barrada pelo plenário do Senado Federal em abril.
O revés de Messias foi selado pelo voto contrário de 42 parlamentares. O episódio entrou para a história como a primeira rejeição a uma indicação presidencial ao STF desde o ano de 1894.
Interlocutores do Palácio do Planalto associam o revés a uma manobra política conduzida pelo líder do Senado, Davi Alcolumbre, cujo propósito era patrocinar a ida do ex-presidente daquela Casa, Rodrigo Pacheco, rumo à Suprema Corte.
Mesmo sob o desgaste da barração no Parlamento, o presidente Lula tem sinalizado aos seus conselheiros mais próximos que insistirá na mesma tese. De acordo com informações reveladas pelo jornalista Igor Gadelha, no portal Metrópoles, o mandatário indicou que não pretende recuar e deve manter a escolha feita no ano passado.