
A equipe de articulação política do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Palácio do Planalto, protocolou uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contestando o levantamento divulgado nesta terça-feira (19) pela parceria Atlas/Bloomberg.
O corpo jurídico da pré-campanha questiona frontalmente os critérios técnicos aplicados pelo instituto. A alegação central é de que o formato do questionário estaria induzindo de forma tendenciosa uma visão desfavorável acerca do parlamentar.
A polêmica gira em torno da reprodução, para os participantes, dos áudios contendo o diálogo entre o congressista e o antigo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, detido temporariamente desde o mês de março. Na gravação, trazida a público na semana anterior pelo veículo Intercept Brasil, o político solicita repasses financeiros para financiar a produção de "Dark Horse", uma obra biográfica sobre a trajetória de seu pai, Jair Bolsonaro.
Na visão dos advogados do senador, o modelo de sondagem estabelece um precedente de manipulação preocupante, violando o princípio de isenção que se exige de levantamentos estatísticos voltados ao conhecimento da população.
A petição sustenta que o questionário extrapolou o papel de mensurar a inclinação do eleitorado, atuando como um elemento indutor que afetou as respostas posteriores sobre a aceitação, os índices de rejeição e o potencial eleitoral do político do PL.
Por outro lado, o diretor-executivo da AtlasIntel, Andrei Roman, utilizou suas redes sociais para rechaçar a tese de contaminação dos resultados.
"O áudio é reproduzido depois da conclusão do questionário da pesquisa e portanto não tem nenhum impacto sobre os cenários eleitorais. A ideia é entender em tempo real o impacto do áudio sobre a percepção do eleitorado, com segmentação demográfica. AtlasIntel sempre mantém uma postura imparcial, que caracteriza nosso trabalho não apenas no Brasil mas a nível global", declarou, em publicação no X.
Os representantes do congressista exigem a interrupção emergencial da divulgação do estudo, defendendo que o episódio seja apurado sob a ótica de possíveis delitos eleitorais. A justificativa foi detalhada em nota oficial:
"Diante da gravidade dos vícios apontados e do risco de divulgação de pesquisa considerada fraudulenta pela defesa", diz a nota.
O comunicado do comitê político reforça ainda que os diagnósticos de intenção de voto precisam se basear em preceitos científicos severos, que se sustentem “com transparência, equilíbrio e imparcialidade, para não serem utilizadas como instrumento de direcionamento da opinião pública”, destaca a nota.
Os dados coletados pela Atlas/Bloomberg capturaram a reação popular logo após a gravação se tornar de conhecimento geral. O impacto político foi imediato: a sondagem apontou um encolhimento superior a cinco pontos percentuais nas pretensões de voto de Flávio Bolsonaro na rodada inicial da disputa e um recuo de seis pontos em um cenário de confronto direto contra o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva.