Davi Alcolumbre sai em defesa de Jaques Wagner após operação da PF

Embora enfrente um distanciamento político com Wagner desde o ano passado, Alcolumbre ponderou que o colega de Parlamento deve receber um tratamento respeitoso e condizente com as prerrogativas do ordenamento jurídico

19/06/2026 às 11h24
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Compartilhe:
Reprodução: Carlos Moura/Agência Senado
Reprodução: Carlos Moura/Agência Senado

Em entrevista coletiva, o chefe do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), manifestou apoio ao senador Jaques Wagner (PT-BA) diante das suspeitas de envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master. O posicionamento ocorreu após a execução da nona etapa da Operação Compliance Zero, realizada na quinta-feira (18).

O parlamentar baiano figurou como o foco principal das diligências, sob a suspeita de ter operado em prol de Vorcaro em negociações políticas. Entre as pautas investigadas está a tramitação da chamada “Emenda Master”, de autoria do senador Ciro Nogueira (PP-PI), cujo objetivo era elevar o teto de ressarcimento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), além de outras matérias que teriam rendido compensações financeiras ao petista.

“Tenho a convicção que, no decorrer do processo, as verdades do senador Jaques Wagner virão à tona e elas serão comprovadas. Um dia elas serão julgadas, é lá nesse dia que a pessoa pode ser condenada ou inocentada”, declarou o presidente da Casa em entrevista coletiva.

Embora enfrente um distanciamento político com Wagner desde o ano passado, Alcolumbre ponderou que o colega de Parlamento deve receber um tratamento respeitoso e condizente com as prerrogativas do ordenamento jurídico. Ele argumentou que as apurações são válidas, mas não devem antecipar a culpa de investigados antes do veredicto final.

“Ninguém nesse país pode ser condenado antes do trânsito em julgado. E todos nesse país podem ser investigados. Isso é normal no Estado democrático de Direito, mas todos também têm que ter a presunção da inocência”, defendeu. Alcolumbre pontuou ainda sua consideração pelas atribuições da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e dos magistrados, ressaltando, contudo, a necessidade de salvaguardar o direito à não culpabilidade prévia ao longo do inquérito.

O Teor das Suspeitas e Vantagens Investigadas

O relatório da Polícia Federal sustenta que Jaques Wagner funcionava como o canal de interlocução das demandas do Banco Master no Senado. Os agentes apontam uma rotina de contatos entre o político e o investidor Augusto Lima, ex-associado de Daniel Vorcaro e também alvo das ordens judiciais.

Dentre os assuntos mapeados, destacam-se a frustrada transferência de controle acionário do Banco Master para o Banco de Brasília (BRB), posteriormente vetada pela autoridade monetária, a proposta legislativa apelidada de “Emenda Master”, voltada a expandir as garantias do FGC, e readequações normativas no setor de empréstimos consignados. Na visão da corporação, a quantidade e a frequência dos diálogos evidenciam um vínculo voltado a objetivos políticos de Vorcaro.

No despacho que referendou as buscas, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), registrou que Wagner figura nas apurações na condição de “suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas”. Conforme a avaliação do ministro, os dados reunidos trazem indícios de interferência política em prol dos interesses de Vorcaro e Augusto Lima, sinalizando que o senador “não seria mero destinatário passivo de informações, mas interlocutor relevante em temas sensíveis ao grupo econômico investigado”.

A linha investigativa indica que companhias pertencentes aos parentes do congressista teriam absorvido cerca de R$ 3,5 milhões em repasses ocultos. O pacote de supostos benefícios abrangeria ainda uma residência de alto padrão estimada em R$ 2,45 milhões na capital baiana, voos em aeronaves particulares dos empresários e entradas para um espetáculo musical em Los Angeles, nos Estados Unidos.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários