Ministério Público encontra foto de Deolane em imóvel de operador do PCC

A Promotoria detalha no processo que a vista da varanda na imagem bate perfeitamente com a localização sob suspeita

22/06/2026 às 09h05
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: Terra
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Reprodução: LECO VIANA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO
Reprodução: LECO VIANA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO

Uma foto encontrada pelos promotores de São Paulo localizou a criadora de conteúdo, Deolane Bezerra, na varanda de uma propriedade associada a Everton de Souza, conhecido como ‘Player’ e apontado pelas autoridades como o gestor financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). Nesta mesma semana, a influenciadora digital, o suposto operador, o líder máximo da facção, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, além de outros quatro indivíduos, passaram à condição de réus sob as acusações de lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Procurados pelo portal Terra, os representantes legais da famosa não emitiram pronunciamentos sobre o registro. Contudo, em manifestações prévias, seus defensores asseveraram que "Deolane não faz parte de nenhuma organização criminosa e tampouco cometeu qualquer crime, o que será provado ao longo do processo".

Conforme a denúncia obtida pelo Terra e divulgada anteriormente, uma varredura da Polícia Civil em um apartamento no sofisticado bairro da Anália Franco, na capital paulista, resultou na apreensão de uma caixa com dinheiro em espécie. O objeto trazia a inscrição ‘Dra Deolane’, acompanhada do jargão ‘o justo não se justifica’.

Embora as estimativas iniciais apontassem para um montante de R$ 50 mil, a contagem oficial das autoridades constatou a presença de R$ 7.800 em espécie. Foi após a detenção da advogada, ocorrida em 21 de maio, que o Ministério Público cruzou os dados e confirmou que aquele endereço serviu de cenário para uma postagem feita por ela no Instagram em janeiro de 2019.

MP encontrou foto de Deolane em imóvel de 'Player', operador do PCC

Reprodução: Redes Sociais

As Conexões entre a Influenciadora e 'Player'

A Promotoria detalha no processo que a vista da varanda na imagem bate perfeitamente com a localização sob suspeita. Somado à prova fotográfica, descobriu-se que as contas de energia elétrica do local estão registrados em nome do padrasto de Deolane. Mensagens eletrônicas interceptadas a respeito da fundação de novas companhias corporativas também reforçam o elo direto entre ela e Everton.

O entendimento do Poder Judiciário indica que a famosa operava como uma espécie de destinatária de fundos de origem duvidosa. O dinheiro partia de uma transportadora fantasma que financiava os propósitos da facção paulista. A tese investigativa aponta que ela recebia repasses fracionados em suas contas bancárias vindos dessa firma, sob a tutela direta de 'Player'.

O Tribunal ressalta que movimentações superiores a R$ 27 milhões em apenas uma de suas contas destoa completamente dos rendimentos declarados por ela. O despacho judicial reforça: “Os relatórios identificam o emprego reiterado de técnicas de lavagem: uso de empresas interpostas, fragmentação e pulverização de depósitos, integração de laranjas e inconsistências declaratórias de imposto de renda”.

Mensagens de voz direcionadas a uma funcionária doméstica sugerem ainda que Deolane utilizava suas residências e as propriedades de seus herdeiros para ocultar quantias pertencentes à cúpula do PCC.

Rota Internacional: A Conexão Dubai

O escopo da investigação revelou uma estratégia sofisticada para blindar os ativos: a transferência de bens e a reestruturação societária rumo a Dubai, no Oriente Médio. De acordo com o Ministério Público, existem indícios robustos de que o grupo planejava remodelar empresas ligadas à influenciadora para remeter o patrimônio rumo aos Emirados Árabes, região "reconhecidamente associada à utilização de shell companies [empresas de fachada]”, com o intuito de camuflar as transações financeiras em âmbito global.

A folha de planejamento apreendida detalhava etapas precisas: conciliação de contas, alterações de endereço fiscal, retirada de parceiros comerciais, transição de Sociedades Limitadas para Sociedades Anônimas (S.A.) e a posterior aquisição destas por corporações financiadas por fundos sediados em Dubai. Essa engenharia financeira envolveria sete marcas comerciais ligadas a Deolane, com metas de consolidação internacional projetadas para meados de julho de 2026.

Nas palavras do Ministério Público contidas na denúncia: “O documento apreendido fortalece a hipótese de que a organização criminosa, in um salto incremental de sofisticação dos meios utilizados para as práticas ilícitas, buscava aperfeiçoar mecanismos de lavagem de dinheiro mediante organização societária, pulverização empresarial, expansão de atividades comerciais e utilização de pessoas jurídicas formalmente distintas, mas economicamente integradas”.

Discrepâncias Financeiras e Exibicionismo Digital

No centro das atenções do Ministério Público e da Polícia Civil está uma circulação de aproximadamente R$ 40 milhões nas contas sob titularidade de Deolane. Suspeita-se que essa fortuna tenha sido drenada da transportadora fantasma sediada em Presidente Venceslau, no interior do estado de São Paulo. Para os investigadores, o negócio servia para mascarar o enriquecimento derivado do tráfico de drogas, sendo o motor financeiro do PCC.

Por fim, a ostentação desenfreada nas plataformas digitais acabou virando uma das principais linhas de apuração. Automóveis importados, joalheria fina, turnês pelo exterior e o estilo de vida luxuoso exposto aos seguidores tornaram-se evidências cruciais na tese de ocultação e lavagem de bens.

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