Após críticas, Gilmar diz confiar em Mendonça na relatoria do caso Master

Este posicionamento surge apenas sete dias após Mendes ter qualificado a participação de Mendonça nos trâmites de delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro como um “erro crasso”

01/07/2026 às 11h41
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Compartilhe:
Reprodução: Luiz Silveira/STF
Reprodução: Luiz Silveira/STF

Durante a sessão do Supremo Tribunal Federal de terça-feira (30), o ministro Gilmar Mendes manifestou seu respaldo à condução do caso Master por parte do relator, André Mendonça. O magistrado destacou que eventuais discordâncias entre os membros do colegiado não devem ser interpretadas como falta de coesão, pontuando: "Gostaria de reiterar a confiança que deposito na atuação do relator e desta Segunda Turma. É importante que se diga que eventuais divergências quanto ao mérito de determinada medida processual não são sinônimo de desunião da Corte em relação à importância do caso e à observância dos direitos fundamentais das pessoas investigadas", declarou o ministro durante sessão.

Este posicionamento surge apenas sete dias após Mendes ter qualificado a participação de Mendonça nos trâmites de delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro como um "erro crasso". Naquela ocasião, em sua participação no programa Roda Viva, o ministro sustentou que a gestão de acordos de colaboração é competência exclusiva do Ministério Público e da Polícia Federal, eximindo o relator de tal função.

Na terça-feira (30), contudo, Gilmar Mendes ressaltou que visões conflitantes sobre o trâmite processual são saudáveis para o sistema de justiça: "Visões divergentes constituem oportunidades únicas para a realização do julgamento mais completo possível. Elas enriquecem a atividade judicante ao invés de diminuí-la".

Apesar dos debates internos, o ministro expressou convicção de que o tribunal dará uma resposta adequada às complexidades do caso Master, apontado por ele como um dos processos de maior relevância analisados pelo STF em 2026. Sobre o papel da Corte, concluiu: "Tenho a certeza de que este órgão colegiado saberá responder à altura os desafios que nos são trazidos por mais esse caso penal rumoroso, em que as exigências de estabelecimento de limites à atuação dos órgãos de persecução não podem ser confundidas com estímulos à impunidade ou qualquer coisa do gênero".

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários