
Manuela Dias finalmente revelou o motivo que a levou a alterar um dos momentos mais emblemáticos da história da televisão brasileira. Ao contrário da versão original de "Vale Tudo", exibida entre 1988 e 1989, a autora decidiu não matar Odete Roitman no remake e afirmou que a escolha foi uma forma de representar a permanência das estruturas de poder.
Em entrevista à Rádio Metrópole, da Bahia, Manuela explicou que a sobrevivência da vilã foi uma decisão pensada desde a construção da nova trama. "Por que eu não matei a Odete? Porque a elite não morre. A elite e o poder instituído eles mudam pra continuar igual, é como o capitalismo. Então, pra mim fez todo o sentido que a Odete ficasse viva", declarou.
A autora também comentou as reações provocadas pelas mudanças na novela e disse enxergar a repercussão de forma positiva. Segundo ela, o envolvimento do público demonstra o quanto a história continua relevante. "Entendo muito a angústia do público em relação às mudanças [...] Que bom que gerou polêmica, porque o pior sentimento é a indiferença", afirmou.
Outro ponto destacado por Manuela foi a decisão de revelar que Leonardo Roitman, interpretado por Guilherme Magon, estava vivo e escondido da própria família. A autora contou que a ideia surgiu de forma inesperada e acabou mudando os rumos da novela. "O Leozinho, filho da Odete... Eu tive essa ideia no meio da noite, eu disse: 'Ele não morreu'. Isso foi a grande decolada da novela em termos de ibope", revelou.
Por fim, Manuela Dias reforçou que não faria sentido reproduzir integralmente a obra original. Para ela, as mudanças fizeram parte da proposta do remake e ajudaram a manter a novela em evidência. "Reclamar não quer dizer não gostar, quer dizer se importar. E a gente foi propondo esse jogo. Não faria sentido fazer uma novela toda igual", concluiu.