
Um motorista que prestava serviços ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, aparece em registros da Câmara dos Deputados como visitante de quatro gabinetes em fevereiro de 2024. As informações, divulgadas pelo Metrópoles com base em documentos obtidos pela Lei de Acesso à Informação (LAI), indicam que Sidney Santos, conhecido como "Kiko", informou na portaria que se dirigiria aos gabinetes dos deputados Geraldo Mendes (União-PR), Benes Leocádio (União-RN), Pedro Westphalen (PP-RS) e Sanderson (PL-RS).
Segundo os registros, Sidney teria visitado o gabinete de Geraldo Mendes em 7 de fevereiro, o de Benes Leocádio no dia 8, o de Pedro Westphalen em 15 de fevereiro e o de Sanderson em 20 de fevereiro. O motorista ganhou destaque após ser citado indiretamente em uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relacionada às investigações envolvendo Daniel Vorcaro e o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Sidney, porém, não é investigado.
Na decisão, André Mendonça relata que Vorcaro utilizou um motorista para buscar e devolver rascunhos de um projeto de lei na residência de Ciro Nogueira, tomando cuidados para que o transporte dos documentos não fosse associado ao parlamentar nem ao Banco Master. Em junho, ao ser procurado pelo Metrópoles, Sidney limitou-se a responder: "Eu quero é distância desse povo, tá bom?", encerrando a conversa em seguida.
Após a divulgação da reportagem pelo Metrópoles, os quatro deputados negaram qualquer encontro com o motorista. Sanderson afirmou que nunca viu Sidney e classificou como "capciosa" qualquer tentativa de vinculá-lo ao caso. Pedro Westphalen disse que o gabinete não possui registro da visita e explicou que o acesso à Câmara não depende de autorização prévia dos parlamentares. Benes Leocádio informou que sequer estava em Brasília na data indicada e ressaltou não haver registro de atendimento em seu gabinete.
Já Geraldo Mendes afirmou que o nome de seu gabinete foi utilizado de forma unilateral na portaria da Câmara e informou que solicitará imagens das câmeras internas para comprovar que não houve reunião. O deputado também destacou que atua publicamente em projetos ligados ao mercado de créditos de carbono e anunciou que pretende levar o caso ao Judiciário.