
Levantamento recente do instituto Nexus em parceria com o BTG, divulgado na segunda-feira (27), indica que o mandatário Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera a corrida inicial com 42% da preferência, seguido por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que soma 33%. Na etapa decisiva, a disputa ganha contornos de equilíbrio acirrado, com o atual chefe do Executivo figurando em margem de igualdade técnica diante de três nomes da oposição de direita, em um quadro classificado pelo CEO da consultoria, Marcelo Tokarski, como uma peleja de "todos contra o presidente Lula".
A sondagem projetou duelos diretos para a etapa final: contra Flávio Bolsonaro, a oscilação marca 47% a 43%; ante Ronaldo Caiado (PSD), o placar registra 45% a 43%; e frente a Romeu Zema (Novo), a contagem indica 46% contra 42%. Todos no limite da margem de erro de dois pontos. O estudo consultou 2.004 cidadãos entre 24 e 26 de julho, com índice de confiança de 95% e registro na Justiça Eleitoral.
Tokarski ressaltou à CNN a performance do governador goiano nos embates de segundo turno. "Hoje, o Ronaldo Caiado é o candidato que melhor performa", observou. Contudo, pontuou a barreira do postulante, que contabiliza apenas 6% nas intenções primárias. "Ele tem menos de um quinto dos votos do Flávio Bolsonaro", salientou o analista, traçando paralelo com o desempenho de Ciro Gomes em 2022.
A respeito das divergências entre pesquisas e o resultado das urnas, o especialista explicou que as camadas de menor renda, base lulista, registram maior índice de faltas. "Na última eleição, 20,9% das pessoas não foram votar", recordou. "O que aconteceu foi que mais eleitores que declaravam a intenção de votar em Lula deixaram de votar e, portanto, ele teve um desempenho na urna um pouco abaixo", explicou à CNN. O trunfo da militância do governo será mobilizar esse grupo: "A eleição no Brasil tem um componente de paixão. A gente vê isso com o lulismo e com o bolsonarismo — tem que despertar a emoção do eleitorado", afirmou ao veículo, ressaltando que alternativas de centro-direita ainda não mobilizaram esse fervor.
No quesito rejeição, Lula acumula 48% e Flávio marca 50%. Opções intermediárias registram índices inferiores: Renan Santos (Missão) soma 27%, Caiado detém 29% e Zema atinge 32%, embora sofram com o desconhecimento do público. Quanto ao trabalho do governo, 43% consideram a gestão ruim ou péssima, ante 36% que a avaliam como ótima ou boa. A aprovação geral marca 47% contra 49% de reprovação. "Esse é o principal desafio da campanha do presidente Lula. Ele tem uma massa de pessoas insatisfeitas ou com o governo ou com a vida", ponderou Tokarski.
A pesquisa mediu ainda a reação às sobretaxas comerciais impostas pela administração estadunidense: 53% enxergam viés político para desgastar o Planalto, enquanto 32% classificam o ato como estritamente comercial. Quando a questão envolve o embate direto de discursos entre Lula e Flávio, a população se divide em exatos 41% para cada lado. "Na hora de avaliar se é política ou se é economia, as pessoas têm uma opinião mais pró-Lula. Mas quando vestem a camisa do seu candidato, uma parte muda de opinião e põe a culpa no outro lado", finalizou Tokarski à CNN.