Cobertura milionária em que Elize Matsunaga matou o marido está à venda em SP

Construído no ano de 1990, o espaço resulta da unificação de duas habitações

29/07/2026 às 12h17 Atualizada em 29/07/2026 às 12h17
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: O Globo
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Reprodução: Reprodução/Netflix / Reprodução/O GLOBO
Reprodução: Reprodução/Netflix / Reprodução/O GLOBO

A residência de alto padrão que serviu de cenário para o assassinato e esquartejamento do executivo Marcos Matsunaga por sua esposa, Elize, em maio de 2012, está listada no mercado imobiliário pelo montante de R$ 2,8 milhões. Situada no bairro da Vila Leopoldina, zona oeste da capital paulista, a propriedade no topo do prédio conta com quatro níveis, área de lazer privativa com piscina, sauna seca acompanhada de espaço para descanso, adega com controle de temperatura, cinco suítes, quatro vagas para veículos, dois depósitos no piso inferior e uma vista panorâmica do horizonte urbano. As informações são do jornal O Globo.

Construído no ano de 1990, o espaço resulta da unificação de duas habitações. Na época em que o casal vivia no endereço, a estrutura englobava dois andares que somavam aproximadamente 370 metros quadrados, com um layout caracterizado por corredores afunilados que se entrelaçavam como um labirinto, conectando ambientes de convivência, sala de jantar, copa, bar, lareira, escritório, dormitórios e varandas.

A área externa do terraço abrigava a churrasqueira e a piscina, enquanto uma das suítes fora adaptada como adega climatizada para a coleção de rótulos do empresário. A morada contava ainda com um quarto de pânico camuflado atrás de uma marcenaria, equipado com blindagem nas portas, climatizador próprio e linha telefônica reservada para eventuais emergências.

Um dos aposentos fora reservado para a jiboia de estimação do casal, batizada de Gigi, que habitava um terrário com banheira de fibra sob tampa de vidro e um galho no qual se enroscava, embora fosse frequente ver o réptil circulando livremente pelos ambientes para tomar sol ou aproximar-se da água.

A tragédia teve início no living da propriedade. Na noite de 19 de maio de 2012, o casal travou uma forte discussão motivada pela descoberta de um caso extraconjugal do empresário. Após descer para receber uma encomenda de pizza, Marcos retornou e o conflito recomeçou, momento em que Elize apresentou imagens que confirmavam a infidelidade. Diante dos insultos proferidos pelo marido, ela disparou contra a cabeça dele com uma arma de fogo.

Por volta das 23h, arrastou a vítima até o quarto reservado a visitas. Na manhã seguinte, cerca de dez horas após o disparo, Elize deixou a bebê do casal, então com 9 meses, sob os cuidados da babá e retornou ao aposento. Ao longo de seis horas, usou um instrumento de corte da cozinha para esquartejar o cadáver. O corpo foi fracionado em seis partes, ensacado e acomodado dentro de três malas. Em seguida, ela conduziu seu veículo até uma área de vegetação na cidade de Cotia, na Região Metropolitana de São Paulo, onde descartou os volumes, posteriormente localizados pelas autoridades.

A autoria foi admitida por Elize durante o processo investigativo, ocasião em que ela participou da reconstituição dos fatos no próprio endereço agora colocado à venda, detalhando a trajetória percorrida no imóvel após o tiro. O reconhecimento do crime ocorreu após os peritos encontrarem evidências cruciais, incluindo fragmentos de solo aderidos ao seu calçado que coincidiam com a terra do local de descarte em Cotia. Em 2016, o Júri Popular a sentenciou a 19 anos, 11 meses e um dia de reclusão pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Mais tarde, o Tribunal de Justiça paulista reduziu a pena para 16 anos, 3 meses e 3 dias. Atualmente, a condenada cumpre a fase final do processo em liberdade (regime aberto) e reside na cidade de Franca, onde trabalha na confecção de vestuário pet.

Quando adquiriu a dupla de propriedades em 2008, o herdeiro da Yoki registrou uma das frações em nome de Elize por meio de doação. Contudo, em razão da condenação pelo assassinato, ela perdeu o direito sobre o bem. Ainda assim, a contenda judicial arrastou-se por um longo período até que o processo movido por ela para tentar recuperar o bem fosse finalizado, permitindo que a titularidade total das unidades fosse transferida para os pais de Marcos.

Solucionada a questão legal, a família disponibilizou o bem para alienação. A despeito de ter perdido o imóvel, Elize não deixou a união sem recursos: a adega de vinhos finos do casal, avaliada originalmente em R$ 3 milhões e posteriormente ajustada para R$ 1,8 milhão no inventário, teve metade de seu valor (R$ 900 mil) repassado a ela após acordo entre os representantes jurídicos das partes. Essa quantia custeou os honorários da defesa criminal e demandas cíveis, incluindo tentativas de reatar o vínculo com a filha, pretensão até hoje negada pela Justiça.

Anunciada por R$ 2,8 milhões, a propriedade apresenta um abatimento de cerca de 32% em comparação aos valores habituais da região, segundo informações da própria intermediadora imobiliária. Enquanto habitações equivalentes no condomínio giram em torno de R$ 3,247 milhões (cerca de R$ 12,1 mil por metro quadrado), a unidade marcada pelo crime é cotada a aproximadamente R$ 8,2 mil o metro quadrado. Embora porta-vozes dos familiares de Matsunaga tenham afirmado que a venda já foi concretizada, os anúncios seguem ativos em pelo menos três plataformas imobiliárias, mantendo aberta a opção de agendamento de visitas ao local.

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