
Depois de deixar o público, familiares e conhecidos em estado de alerta ao publicar uma carta de despedida na internet, o jornalista, Elian Matte, quebrou o silêncio novamente. Em um comunicado inédito, ele detalhou como está sua condição física e mental, manifestou gratidão pelas mensagens de solidariedade e pontuou que sua recente demissão da Secretaria de Estado da Segurança Pública catarinense intensificou sua vulnerabilidade psicológica.
O profissional reforçou que luta contra a depressão há um longo período, detalhando o peso de carregar tal condição:
“Ainda pouco consigo escrever, mas não poderia deixar de passar para agradecer. Essa doença é uma desgraça. É viver o tempo todo com medo da próxima crise. E quando você acorda dias depois, se sente ainda mais fracassado porque de novo não conseguiu”, escreveu ele.
O jornalista relatou que foi dispensado de suas funções por meio de mensagens momentos antes de iniciar seu expediente:
“Foi uma semana pesada. Fui exonerado da Secretaria de Estado da Segurança Pública por WhatsApp enquanto me arrumava para trabalhar. A ordem foi dada pela delegada Michele Alves. Sim. Eu confesso que isso me derrubou, mesmo sabendo que eu entregava até mais do que devia”, detalhou.
Na sequência, Elian expôs uma série de denúncias administrativas referentes à chefia do órgão público, mencionando desde a suposta obrigatoriedade de comparecimento a convenções partidárias até o recolhimento de aparelhos celulares nas salas de reunião por receio de gravações. O ex-funcionário também afirmou ter alertado sobre servidores "fantasmas" e criticou escolhas de cargos técnicos:
“Eu, como jornalista, questionei a nomeação de uma dentista para supervisionar parte do setor de comunicação do órgão. Apesar do cargo ser de livre nomeação, pra mim isso é algo tão imoral, apesar de não ser ilegal”, pontuou.
Entre as queixas, ele citou cobranças por distinções institucionais e exigências consideradas inexequíveis:
“A delegada cobrava metas impossíveis de alcançar. Como, por exemplo, ela queria ser premiada. Sim, homenagens, premiações em alguma categoria de liderança de destaque. Eu não posso interferir em nenhuma premiação”.
Por fim, o comunicador relatou cobranças imediatas para a restituição de itens de trabalho e direcionou críticas a diretrizes políticas estaduais, citando o governador Jorginho Mello:
“Tudo faz parte do jogo político, jogo sujo que eu não sei jogar. Outro absurdo foi a ordem do governador Jorginho Mello de que o Procon estava proibido de autuar e multar empresários, mesmo os que fazem errado. Foi o caso de um grande parque de diversões de Santa Catarina que se recusa a vender meia-entrada para estudantes, foi autuado e depois tivemos que pedir desculpas. Obrigado!”.
Na quarta-feira anterior (29), o comunicador e ex-integrante da equipe da emissora Record veiculou a carta de despedida na rede social, detalhando dores associadas à depressão crônica e episódios delicados do passado. O teor do documento gerou forte comoção, fazendo com que familiares e autoridades policiais mobilizassem buscas para localizá-lo após o sumiço temporário.