
Em evento partidário sediado na Zona Norte de São Paulo, mais precisamente no Expo Center Norte, o Partido dos Trabalhadores (PT) sacramentou no domingo (2) o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como postulante ao Palácio do Planalto para mais um pleito. Buscando o quarto mandato presidencial, o líder político manterá Geraldo Alckmin (PSB) como seu companheiro de chapa, repetindo a dobradinha vitoriosa de 2022.
A convenção contou com a presença de caravanas e lideranças de siglas aliadas, a exemplo de PSB, PCdoB, PV, PDT, PSOL e Rede. Diante dos correligionários, o mandatário proferiu um pronunciamento com mais de sessenta minutos de duração, no qual destacou realizações de sua gestão:
"Eu peço desculpas pelos erros que eu cometi, peço desculpas pelas coisas que eu não fiz, mas eu quero dizer para vocês que o nosso governo está dando a vocês armas, argumentos que vocês nunca tiveram na história desse país. Vocês têm um governo que entregou mais do que prometeu e que vai entregar muito mais. Só depende de vocês".
Durante o discurso, o candidato enumerou cinco compromissos centrais que nortearão uma eventual nova administração:
Educação: Apontado como o principal motivador de sua nova postulação, o tema foi tratado como prioridade absoluta: "Sou candidato pela quarta vez para resolver definitivamente o papel da educação no país".
Assistência aos Idosos: A criação de uma iniciativa governamental voltada aos idosos foi justificada pelo envelhecimento demográfico e pela necessidade de amparo social ativo: "Nossa população envelheceu e nem sempre o filho que ela pariu cuida dela como ela cuidava dele. Nós precisamos criar um programa pro idoso. Mas não para ele ficar em um canto parado, é pra ele até namorar, se encontrar uma parceira".
Indústria de Defesa: O chefe do Executivo defendeu o fortalecimento militar e criticou o ceticismo de setores progressistas em relação ao tema, citando inclusive o episódio envolvendo o ex-governante venezuelano Nicolás Maduro, detido pelos EUA em janeiro: "Quero pedir para a esquerda parar com essa bobagem de achar que a gente não tem que se preocupar com a defesa. Quero estar preparado para que ninguém invada esse país para levar o presidente, para ninguém ousar se fazer de besta conosco. Precisamos investir na indústria da defesa".
Soberania sobre Terras Raras: O petista ressaltou que os recursos minerais estratégicos pertencem exclusivamente à população nacional: "Vou levar a sério esse negócio de terras raras e minerais críticos. Isso é patrimônio do povo brasileiro e quem tem que lucrar com isso é o povo brasileiro. Nem chinês, nem americano, nem francês vão meter o dedo nas nossas terras raras".
Transição Energética e Valorização Tecnológica: Defendendo a soberania e a superação de complexos de inferioridade, o líder propôs agregar valor à produção interna, com foco em baterias e inovação limpa.
O atual presidente também sinalizou que pretende enfrentar questões estruturais do sistema político brasileiro caso seja reconduzido ao cargo, indicando que haverá embates institucionais no relacionamento com o Poder Legislativo. Sobre a dinâmica orçamentária, disparou: "Minha quarta presidência é pra mudar muita coisa. Vai ter briga com emenda parlamentar". Ele também expressou ressalvas quanto ao financiamento público das siglas: "Esse negócio de fundo partidário não me agrada, está levando os partidos à promiscuidade. Fez todos nós iguais".
Por fim, o candidato assegurou que o detalhamento de seu plano de governo só virá a público a partir do dia 16, marco inicial da propaganda eleitoral. Aos 80 anos de idade, garantiu estar em plena forma física para a disputa e brincou que, em caso de vitória, não tentará um "penta".