
No último sábado (1º/08), o deputado Kiko Celeguim, que comanda o diretório petista no estado de São Paulo e coordena a campanha de Fernando Haddad, respondeu de maneira enérgica aos ataques desferidos pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) contra seu aliado. Em declaração firme concedida ao portal Poder360, o dirigente petista classificou o chefe do Executivo municipal como um "moleque".
Durante o revide, Celeguim resgatou o histórico político de Nunes, mencionando o período em que o emedebista atuava como parlamentar na Câmara Municipal e fazia parte da base de sustentação do governo petista na capital.
“O prefeito da maior cidade do país se comporta como um moleque para agradar o seu mentor, Flávio Bolsonaro, e se esquece do passado, quando ele foi líder do Governo Haddad”, criticou o coordenador de campanha.
Apesar da fala do deputado, registros históricos apontam que Nunes não chegou a exercer a liderança da gestão de Haddad. O ex-titular da Fazenda venceu a disputa pela prefeitura paulistana em 2012, administrando o município entre 2013 e 2016. Naquela eleição municipal, Haddad ficou a menos de dois pontos percentuais de José Serra (PSDB) no primeiro turno, uma margem de 108.532 votos, e garantiu o triunfo no segundo turno com 55,57% dos votos válidos ante 44,43% do tucano. Anos mais tarde, ao tentar a recondução ao cargo, o petista acabou eliminado ainda no primeiro turno por João Doria (então no PSDB), que alcançou 53,29% contra 16,70% do petista.
A resposta de Celeguim surgiu como tréplica a um discurso inflamado de Ricardo Nunes realizado horas antes, durante a Convenção do Republicanos estadual, evento que sacramentou a candidatura à reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Na ocasião, o prefeito paulistano atacou a gestão econômica de Haddad e sua passagem pela prefeitura, disparando ofensas diretas:
“Não podemos ter aqui um governador incompetente, que não cuidou da atenção básica, da saúde da mulher, das crianças, da cidade. Um professorzinho de nariz empinado, incompetente e sem vergonha. Vamos dar um coro nesse cara”.
As alfinetadas de Nunes ecoaram uma fala anterior do próprio Tarcísio, proferida no dia 1º de junho, quando o governador rotulou ironicamente Haddad de o “melhor ministro da Fazenda“ paraguaio. Na época, em 6 de junho, o ministro rebateu a provocação ao pontuar que o fluxo de empresas brasileiras rumo ao território vizinho ocorreu durante o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Dando continuidade ao embate político no mesmo sábado, o PT paulista divulgou uma nota oficial assinada por Kiko Celeguim, na qual o dirigente apelidou pejorativamente o prefeito de “prefeitinho” e denunciou supostas práticas de desrespeito aos profissionais da educação na atual administração municipal.