
A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) anunciou, na sexta-feira (14), a adoção da política do Comitê Olímpico Internacional (COI) sobre a elegibilidade de atletas na categoria feminina. A partir da nova regra, as competidoras deverão apresentar teste genético negativo para o gene SRY, relacionado ao desenvolvimento masculino.
A medida coloca em dúvida a continuidade de Tifanny Abreu, oposta trans do Osasco, nas principais competições nacionais. A nova política será aplicada a partir da Superliga A e B da temporada 2026/27, além da Supercopa 2026, Copa Brasil 2027 e competições nacionais de vôlei de praia previstas para 2027.
O Osasco afirmou que recebeu a decisão com surpresa e que seu departamento jurídico analisa a normativa para definir os próximos passos. O clube destacou que não participou da elaboração da política e reafirmou apoio à atleta, que defende a equipe desde 2021.
Tifanny se pronunciou pela primeira vez sobre a decisão no último domingo (16) e afirmou que a CBV está “tirando tudo” o que tem. A jogadora classificou a medida como um “enorme retrocesso” na luta pelo reconhecimento e pela inclusão e garantiu que não pretende ficar em silêncio diante da nova regra.
A atleta também ressaltou que a decisão não afeta somente sua carreira, mas o clube, a torcida, patrocinadores e pessoas trans que se inspiram em sua trajetória. Tifanny afirmou ainda que pretende tomar “todas as medidas possíveis” para defender sua permanência no esporte.
Na temporada 2024/25, Tifanny foi campeã da Superliga pelo Osasco, além de conquistar o Campeonato Paulista e a Copa Brasil. Confira abaixo o pronunciamento completo da jogadora:
“O voleibol é a minha vida e o meu trabalho.
A CBV está tirando tudo o que eu tenho, que é o amor pelo voleibol e a profissão que eu venho exercendo todos esses anos.
Mas isso não afeta só a mim, afeta ao meu clube, a torcida, patrocinadores, as pessoas que se inspiram em mim e ainda direito de todas as pessoas Trans.
É um enorme retrocesso na luta pelo reconhecimento e pela inclusão.
Voltamos para a forma vexatória como se testavam as atletas nos anos 60/70.
Não vou me calar e vou tomar todas as medidas possíveis para que a minha luta pelo direito à visibilidade, a inclusão e a prática do esporte não tenha sido em vão.”
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