
Pablo Marçal, candidato à Presidência da República pelo PRTB, mudou o tom ao comentar a suspeita de ligação do presidente da legenda, Leonardo Avalanche, com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Em entrevista ao SBT News, na última terça-feira (18), o empresário afirmou que não pode assegurar que o próprio vice na chapa não tenha qualquer relação com a facção.
A suspeita ganhou força após áudios divulgados em 2024 mostrarem Avalanche afirmando que teria influenciado na soltura de André do Rap, apontado como integrante do PCC. Marçal, porém, classificou a possível ligação como uma “ilação” e disse que não poderia afirmar algo sem uma condenação.
“Eu não consigo falar quem é ou não se não tem nenhuma condenação em relação a isso”, declarou. Na sequência, adotou uma postura mais cautelosa sobre o aliado: “Não estou pondo a mão no fogo. Se tiver que responder a alguma coisa, que responda”, ponderou.
O posicionamento representa uma mudança em relação ao discurso adotado por Marçal em 2024, quando, após a divulgação dos áudios, afirmou que Avalanche não fazia parte do PCC e que a acusação estaria “atrapalhando a vida” do dirigente. Agora, questionado sobre o assunto, disse não ter certeza sobre possíveis relações de terceiros com a facção. “Não tenho certeza sobre terceiros não. Jamais”, afirmou.
Marçal também explicou que não pretendia ter Avalanche como candidato a vice. Segundo ele, a escolha teria sido uma condição imposta pelo dirigente, que seria o “dono do partido”. Avalanche chegou a se lançar como pré-candidato do PRTB à Presidência, mas posteriormente passou a compor a chapa de Marçal.
O empresário afirmou ainda que gostaria de disputar a Presidência sem estar vinculado a uma legenda, mas reconheceu que a legislação eleitoral não permite uma candidatura independente.
Durante a entrevista, Marçal também comentou a situação jurídica de sua candidatura. O nome do empresário foi incluído no sistema da Justiça Eleitoral nos minutos finais do prazo para registro, no sábado (15).
Ele acumula três condenações no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) que resultaram em declarações de inelegibilidade. Apesar disso, Marçal afirmou possuir certidões que permitiram o registro e ressaltou que ainda existem recursos possíveis no processo.
“Eu estou firme até o fim”, declarou o candidato ao ser questionado sobre a possibilidade de sua candidatura não prosperar.