
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quarta-feira (19) esperar que os Estados Unidos não interfiram nas eleições brasileiras de outubro. A declaração ocorreu durante a 4ª edição do Fórum Saúde, promovido pela Esfera Brasil e pela farmacêutica EMS, em Brasília, em meio ao aumento das tensões entre os dois países.
“Eu espero que não [tenha interferência]. Como vocês sabem, o Brasil tem uma democracia sólida. Um dos pilares de confiança é o sistema eletrônico de votação”, afirmou Gilmar. O ministro também destacou a rapidez da apuração e defendeu que a Justiça Eleitoral siga atuando para afastar dúvidas sobre a segurança das urnas.
“Vocês todos acompanham as eleições há mais de 20 anos com a fidelidade que se tem. Às cinco horas se encerram as sessões, às sete horas da noite nós já temos os resultados e continuamos tendo essa credibilidade. Acho que a Justiça Eleitoral deve zelar para evitar qualquer dúvida sobre a funcionalidade, o funcionamento e a segurança do nosso sistema e dar respostas adequadas”, disse.
A discussão sobre uma possível interferência dos Estados Unidos ganhou força após o Itamaraty negar vistos, no fim de julho, a dois funcionários do governo Donald Trump que planejavam viajar ao Brasil. Segundo o Washington Post, Riley Barnes e Samuel Samson pretendiam contestar a confiabilidade das urnas e do sistema eleitoral brasileiro.
Ao comentar o episódio, Gilmar diferenciou a situação das missões internacionais oficialmente credenciadas para acompanhar as eleições. O ministro lembrou que, quando presidiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), participou das negociações que permitiram à Organização dos Estados Americanos (OEA) atuar como observadora do processo eleitoral brasileiro.
“Eu mesmo, presidente do TSE, negociei com a OEA aquele status de observação eleitoral. E a OEA esteve nas eleições do Brasil e atesta a fidelidade do nosso sistema, a sua rigidez e a sua prontidão”, afirmou. Sobre os representantes norte-americanos, acrescentou que a controvérsia lhe parece “uma questão política diplomática”.
O TSE mantém missões internacionais de observação para as eleições de 2026, com participação de organizações como OEA, União Europeia, Parlasul, UNIORE e Liga dos Estados Árabes. Em 6 de agosto, uma equipe da embaixada dos Estados Unidos também esteve no tribunal para receber informações sobre mecanismos de segurança, transparência e auditoria das urnas.