Tarcísio sai em defesa das urnas eletrônicas: “Foram elas que me elegeram”

Apesar da divergência sobre o sistema de votação, o governador endossou o nome do senador ao Palácio do Planalto e criticou a condução econômica da atual gestão federal, ponderando sobre os riscos fiscais de uma eventual reeleição do presidente Lula (PT)

20/08/2026 às 13h42
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Compartilhe:
Reprodução: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP
Reprodução: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP

O governador paulista e postulante à recondução ao cargo pelo Republicanos, Tarcísio de Freitas, contrapôs posicionamentos do seu correligionário Flávio Bolsonaro (PL) a respeito das urnas eletrônicas, afirmando a confiabilidade do sistema eleitoral. Durante entrevista concedida à CBN, O Globo e Valor nesta quinta-feira (20), o chefe do Executivo estadual ressaltou sua intenção de manter o debate pautado em propostas de gestão.

Ao rebater os questionamentos feitos anteriormente por Flávio sobre a tecnologia das urnas, Tarcísio pontuou: “[Confio nas urnas] foram elas que me elegeram. (...) Acho que a gente precisa discutir o país. Acho que a gente precisa discutir para que rumo a gente vai caminhar. Qual é o rumo dos dois lados. Eu acho que a gente precisa botar isso na mesa. E da nossa parte eu tenho visto, né? O esforço da equipe do Flávio de construir um plano de apresentar o plano”, reforçando em seguida: “Espero que a gente consiga apresentar esse plano e mostrar que tem uma direção”.

Apesar da divergência sobre o sistema de votação, o governador endossou o nome do senador ao Palácio do Planalto e criticou a condução econômica da atual gestão federal, ponderando sobre os riscos fiscais de uma eventual reeleição do presidente Lula (PT):

“Nós temos um caminho, mas olha, será que alguém vai acreditar que o Lula na idade que tem e com a experiência que tem sempre teve como presidente e se acostumou a usar muito o fiscal para fazer política pública. Será que ele vai agora fazer um ajuste? E esse são relatos que nós temos, de gente que tem avisado pra ele: ‘olha, se você não fizer ajuste, você pode terminar com a Dilma e a gente pode estar caminhando por uma recessão’. Tem muita gente boa, já começando a falar isso. E aí as empresas começam a ficar com receio, começa a puxar o freio de mão, começa a não fazer investimento”.

Articulação política e relação institucional

Tarcísio indicou que engajará esforços no eleitorado paulista para alavancar a candidatura do aliado, destacando que a sinergia entre as esferas governamentais favorece o repasse de verbas e a execução de intervenções urbanas: “A gente vai procurar sensibilizar o eleitor e mostrar para ele que as coisas podem ser muito mais fáceis a partir do momento em que há um alinhamento. O alinhamento com a Prefeitura de São Paulo, com o Ricardo Nunes, me ajuda muito, porque veja muitas das políticas são direcionadas para as pessoas da capital. Assim, a gente consegue fazer muita obra em conjunto”. Ele complementou projetando os benefícios da parceria: “O governo federal com o Flávio e o governo do estado, as portas se abrem e a gente vai ter mais facilidade para trazer recursos. A gente não vai ficar lá no último lugar da fila e isso vai ser bom para a população. É um pouco do que a gente vai procurar mostrar”.

Contudo, caso o resultado nacional seja adverso ao seu grupo político, assegurou que adotará uma postura institucional pragmática perante o governo central: “Vou procurar trabalhar eh com maior pragmatismo possível. Acho importante eu sempre me pautar pelo pragmatismo e pelas pessoas, pelo interesse das pessoas [de São Paulo]”.

Enfrentamento aos crimes contra a mulher

Questionado acerca dos índices de violência de gênero no estado, o candidato sublinhou a complexidade de conter ataques que ocorrem sem alertas prévios: “É um crime super difícil de combater. Qual é o anúncio, o aviso que nós tínhamos que aquilo ia acontecer [ataque no supermercado]? Qual o sinal? Nenhum. O que a gente está procurando fazer? A gente está procurando aumentar os nossos canais de comunicação. A gente está procurando mostrar para as mulheres que a gente está aqui para ampará-las. A gente está do lado delas”. Como medida preventiva e inibidora, propôs a criação de um cadastro público de infratores focado em “criar constrangimento para o agressor”.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários