
A vereadora Benny Briolly (PT-RJ) defendeu a ampliação da presença de pessoas trans nos espaços de poder e falou sobre a importância de uma bancada trans na política brasileira. A declaração aconteceu durante o Baile da Benny, evento político e cultural realizado no Rio de Janeiro.
Ao comentar a representatividade, Benny afirmou que a existência de uma bancada trans possui importância simbólica, mas destacou que a atuação de parlamentares trans não deve ficar limitada às discussões sobre identidade de gênero. “A bancada trans tem uma importância simbólica porque existe bancada de tudo, qualquer coisa. Existe a bancada da Bíblia, existe a bancada do agro, existe a bancada do boi”, afirmou.
Segundo a vereadora, a presença de pessoas trans no Legislativo também pode ampliar a participação desse grupo em debates que envolvem questões gerais da sociedade. “A importância da bancada trans é ressignificar a política, entendendo que os nossos corpos não falam somente das nossas identidades. Que a gente também faz mobilidade urbana, que a gente também faz cultura, que a gente também faz educação, a gente produz uma intelectualidade que formula e disserta o Brasil para quem foi esquecido historicamente e precisa avançar enquanto classe trabalhadora”, declarou.
Benny também chamou atenção para o número de pessoas trans atualmente ocupando cargos eletivos no país. “‘Ah, mas agora elas querem tomar os espaços das mulheres cisgêneros’. Gente, há menos de dez anos nesse país nós, mulheres trans e travestis, somos reconhecidas como mulheres sem ser catalogadas em um CID. E há menos de oito anos que nós estamos ocupando o parlamento e somos menos de 40 no Brasil inteiro. Entre o Congresso, as casas legislativas estaduais e municipais no Brasil”, afirmou.
A parlamentar ainda rebateu a ideia de que representantes trans deveriam concentrar sua atuação exclusivamente em pautas relacionadas a gênero e sexualidade. “Entendo o quanto é necessário entregar para a população mais pobre, que é a população LGBT, a população de favela, juventude preta, educação, saúde e moradia, que são elementos cruciais para que seja garantida a cidadania dessas pessoas. A bancada trans é para isso, gente. Desmistifica”, ponderou.
Durante a entrevista, Benny também criticou campanhas de desinformação utilizadas, segundo ela, para atacar políticos LGBTQIA+. Ao citar episódios envolvendo o ex-deputado federal Jean Wyllys, declarou: “Tira esse negócio que vai sexualizar criancinha, igual fizeram com o Jean Wyllys. ‘Ah, mamadeira de piroca’… Isso é coisa de gente mentirosa, nojenta, fascista, ultrapassada”.
Benny está em seu segundo mandato como vereadora de Niterói. Eleita pela primeira vez em 2020 e reeleita em 2024, atualmente preside uma comissão da Câmara Municipal. Em 2026, deixou o PSOL e se filiou ao PT para disputar uma vaga de deputada federal pelo Rio de Janeiro.