
O magistrado Flávio Dino, integrante da Suprema Corte, deferiu um pleito formulado pela Polícia Federal para viabilizar o compartilhamento de informações colhidas em diligência voltada à produtora cinematográfica encarregada da obra Dark Horse, o longa-metragem biográfico sobre o ex-chefe de Estado, Jair Bolsonaro (PL).
A apuração foi instaurada pelo próprio ministro em maio, com o objetivo de examinar a utilização de verbas de emendas parlamentares no fomento a iniciativas culturais, englobando a película em questão. A matéria originou-se de autos voltados ao controle e à execução desses repasses orçamentários em território nacional, tramitando sob regime de sigilo.
Em junho, a Polícia Civil paulista executou uma ofensiva investigativa para esclarecer indícios de irregularidades em acordo celebrado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade liderada pela proprietária da empresa Go Up Entertainment, firma responsável pelo projeto de Dark Horse. Existem indícios de que as verbas públicas teriam sido direcionadas, de maneira indireta, para o custeio da produção cinematográfica.
Paralelamente, outra linha de apuração examina o destino de aportes financeiros realizados por Daniel Vorcaro, antigo dirigente principal do Banco Master, na mesma obra. O veículo jornalístico The Intercept Brasil divulgou registros em áudio nos quais o postulante ao Planalto, Flávio Bolsonaro (PL), cobra repasses financeiros do banqueiro.
Em virtude desse desdobramento, o ministro André Mendonça, também do STF, permitiu a abertura de inquérito vinculado ao escândalo do Banco Master para apurar se os montantes foram empregados para financiar a permanência do ex-parlamentar Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos.