Lula projeta maior controle sobre redes sociais em novo plano de governo

Entre as propostas centrais está a implementação do Conselho Nacional pela Soberania Digital, concebido para reunir múltiplos segmentos sociais com o intuito de deliberar sobre as diretrizes operacionais das tecnologias em território nacional

27/08/2026 às 12h42
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: Gazeta do Povo
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Reprodução: Brenno Carvalho / Agência O Globo
Reprodução: Brenno Carvalho / Agência O Globo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva formalizou as linhas mestras de seu plano de governo voltado para a ampliação do controle estatal sobre as redes sociais. O documento, registrado no Tribunal Superior Eleitoral em agosto de 2026, estabelece estratégias para frear o avanço de notícias falsas e de manifestações de ódio, além de prever a instituição de instâncias encarregadas de auditar algoritmos e assegurar a soberania digital do país. As informações são da Gazeta do Povo.

Entre as propostas centrais está a implementação do Conselho Nacional pela Soberania Digital, concebido para reunir múltiplos segmentos sociais com o intuito de deliberar sobre as diretrizes operacionais das tecnologias em território nacional. Embora a meta oficial seja assegurar o cumprimento da legislação brasileira, o projeto atrai críticas. Adversários políticos utilizam o termo 'soviete' para expressar receios de que a nova estrutura funcione de maneira ideologicamente engessada, influenciando o fluxo de opiniões e o que é permitido circular na internet.

O projeto também planeja instituir o Centro Nacional de Transparência Algorítmica, cujo propósito seria decodificar as equações matemáticas que definem a exibição de posturas e conteúdos para os usuários. Enquanto o Executivo defende a medida como essencial para barrar manipulações de massa, o envolvimento do governo na fiscalização direta desses códigos levanta debates sobre riscos de interferência na liberdade de expressão das empresas de tecnologia.

O Papel Ampliado de Órgãos Reguladores e o "Dever de Cuidado"

A estratégia governamental também passa pela intensificação de braços institucionais já existentes:

  • ANPD: A Agência Nacional de Proteção de Dados adquiriu prerrogativas para vigiar plataformas como X, Instagram e TikTok, contando com respaldo para paralisar serviços em caso de descumprimento de normas.

  • AGU: Através da Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia, alcunhada por opositores de 'Ministério da Verdade', o órgão atua na solicitação de exclusão ou sinalização de postagens entendidas como fake news governamentais.

Por fim, o panorama jurídico atual impõe às big techs o chamado 'dever de cuidado', obrigando-as a remover proativamente publicações ilícitas ou antidemocráticas sob risco de responsabilização direta, substituindo a antiga exigência de ordens judiciais prévias para cada caso.

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