
Durante ato de campanha em Arapiraca (AL) na quarta-feira (26), o postulante ao Palácio do Planalto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) responsabilizou o atual mandatário, Luiz Inácio Lula da Silva, pelas sobretaxas comerciais aplicadas pelos Estados Unidos contra mercadorias nacionais. De acordo com o senador, o chefe do Executivo federal teria buscado ativamente a medida:
“Eu tentei fazer minha parte lá atrás, porque o Lula fez muita força, pediu esse tarifaço, implorou por esse tarifaço e ele conseguiu. Mérito do Lula, parabéns, Lula, pelo Brasil ser tarifado pelos Estados Unidos”.
Questionado acerca da condução diplomática do impasse, o parlamentar sublinhou que a obrigação de contornar a crise recai sobre a figura presidencial, porém ressalvou que adotará outra diretriz caso vença a disputa eleitoral, pretendendo dialogar de maneira direta e igualitária com potências globais como EUA, China, Índia, Argentina, Israel e nações do Oriente Médio. Em julho, o candidato havia viajado ao território norte-americano para acompanhar discussões sobre as sanções econômicas, argumentando na época ter atuado para barrar os gravames.
O chamado "tarifaço" engloba uma série de sobretaxas aduaneiras decretadas pelo governo de Donald Trump contra o comércio brasileiro, em um desdobramento de atritos iniciados em 2025.
As restrições ganharam força sob justificativas ligadas às investigações judiciais e contenciosos envolvendo empresas e cidadãos norte-americanos, além de críticas a práticas comerciais, padrões ambientais, leis de propriedade intelectual e ao funcionamento do Pix. Em 2026, novas camadas de taxações adicionais, fundamentadas inclusive em alegações sobre o uso de trabalho forçado, ameaçaram elevar os encargos totais a patamares expressivos.
Diante do cenário, o governo brasileiro acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC), instituiu procedimentos de reciprocidade amparados pela legislação nacional e formalizou consultas diplomáticas por meio do Itamaraty. Após diálogo telefônico entre Lula e Donald Trump em 21 de agosto, as administrações acordaram na retomada das tratativas bilaterais, com novas reuniões agendadas para debater eventuais isenções e o futuro das taxas.