
As revelações sobre as mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e um contato atribuído a Alexandre de Moraes provocaram uma forte reação no campo político da direita. Após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de documentos da investigação, parlamentares e candidatos passaram a cobrar esclarecimentos sobre a relação entre o ex-banqueiro e integrantes do entorno do magistrado.
Segundo informações da BBC, Flávio Bolsonaro afirmou no Senado que Moraes “não tem mais condições de permanecer no cargo”. O candidato à Presidência classificou os fatos como “muito graves” e defendeu que o ministro apresente explicações sobre os elementos revelados.
“Se ele edita os contratos da esposa que estava oficialmente sendo contratada, se parece que tem alguma forma de ajudar o Vorcaro a dar garantias de que a Polícia Federal não atue em determinado momento ou que o Procurador-Geral da República se posicione a favor do Vorcaro por influência de Alexandre de Moraes. Então, são muitas acusações graves e que espero de verdade que ele esclareça”, disse Flávio.
Romeu Zema chamou Moraes de “projetinho de ditador” e declarou que ele “merece cadeia”. Ronaldo Caiado afirmou que Vorcaro “contaminou todos os Poderes” e defendeu que qualquer autoridade que tenha usado proximidade com o poder para beneficiar o banqueiro preste esclarecimentos. Renan Santos disse que Moraes “não tem nenhuma condição moral de estar em qualquer posição de poder em uma república minimamente séria e democrática”.
Tarcísio de Freitas classificou os novos fatos como “graves” e afirmou que tudo precisa ser investigado. Nikolas Ferreira também cobrou apuração e escreveu ao ministro André Mendonça: “Vai em frente que estamos com você”. Carlos Viana disse que já havia apresentado pedido de impeachment e cobrou uma posição do presidente do Senado, enquanto Damares Alves defendeu o afastamento de Moraes até que as investigações sejam concluídas.
Augusto Cury também entrou no debate e defendeu que ministros do STF tenham mandatos de oito anos. As manifestações ocorreram depois da divulgação de mensagens, contratos e outros documentos da investigação sobre Vorcaro, que passaram a ser públicos após a decisão de Mendonça.
A Ordem dos Advogados do Brasil também se pronunciou e afirmou acompanhar “com atenção e extrema preocupação” a crise. A entidade pediu uma “apuração rigorosa e isenta”, com respeito ao devido processo legal, à ampla defesa e à presunção de inocência. Até o momento, Moraes não foi formalmente incluído como investigado na Petição 16.662.