
A Polícia Federal realizou nesta segunda-feira (19) uma operação para investigar a suspeita de que um ex-servidor do Superior Tribunal de Justiça (STJ) teria antecipado decisões judiciais e informações ainda não públicas a um advogado ligado a Flávio Bolsonaro (PL). A ação foi noticiada pelo UOL e faz parte da Operação Linceu.
O investigado é Humberto Fontoura Pradera, ex-secretário de Tecnologia da Informação do STJ, exonerado na sexta-feira anterior. A suspeita é de que ele tenha repassado minutas de decisões ainda não assinadas e manifestações do Ministério Público Federal ao advogado Willer Tomaz, apontado pela reportagem como amigo de Flávio.
Entre os episódios examinados pela investigação está o envio de uma fotografia de uma minuta de decisão em outubro de 2024. Segundo o levantamento, o documento teria sido assinado quatro dias depois e publicado oficialmente em 30 de outubro. A apuração busca determinar como o material foi obtido e se houve violação de dever funcional ou de sigilo.
A investigação também examina movimentações empresariais e comunicações que poderiam estar relacionadas à circulação de recursos e a possíveis estratégias de proteção patrimonial. O material citado pela reportagem inclui mensagens sobre a justificativa de despesas como “campanha de mídia” e referências a uma estrutura no exterior. A existência dessas mensagens, por si só, não comprova irregularidades por parte de todos os envolvidos mencionados no caso.
Willer Tomaz negou ter obtido ilegalmente decisões ou pareceres sigilosos e afirmou que as insinuações são “infundadas” e “configuram desinformação”. O STJ informou que o caso envolve investigações sigilosas. Até a publicação da reportagem, não havia uma conclusão judicial que comprovasse as acusações contra os investigados, e as suspeitas precisam ser apuradas pelas autoridades competentes.