PF investiga ex-servidor do STJ suspeito de antecipar decisões a advogado ligado a Flávio Bolsonaro

Operação Linceu apura se informações sobre decisões ainda não assinadas e manifestações do Ministério Público foram repassadas ao advogado Willer Tomaz, que nega qualquer acesso ilegal

19/10/2026 às 19h21
Por: Mateus Pereira Fonte: Uol
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Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo
Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo

A Polícia Federal realizou nesta segunda-feira (19) uma operação para investigar a suspeita de que um ex-servidor do Superior Tribunal de Justiça (STJ) teria antecipado decisões judiciais e informações ainda não públicas a um advogado ligado a Flávio Bolsonaro (PL). A ação foi noticiada pelo UOL e faz parte da Operação Linceu.

O investigado é Humberto Fontoura Pradera, ex-secretário de Tecnologia da Informação do STJ, exonerado na sexta-feira anterior. A suspeita é de que ele tenha repassado minutas de decisões ainda não assinadas e manifestações do Ministério Público Federal ao advogado Willer Tomaz, apontado pela reportagem como amigo de Flávio.

Entre os episódios examinados pela investigação está o envio de uma fotografia de uma minuta de decisão em outubro de 2024. Segundo o levantamento, o documento teria sido assinado quatro dias depois e publicado oficialmente em 30 de outubro. A apuração busca determinar como o material foi obtido e se houve violação de dever funcional ou de sigilo.

A investigação também examina movimentações empresariais e comunicações que poderiam estar relacionadas à circulação de recursos e a possíveis estratégias de proteção patrimonial. O material citado pela reportagem inclui mensagens sobre a justificativa de despesas como “campanha de mídia” e referências a uma estrutura no exterior. A existência dessas mensagens, por si só, não comprova irregularidades por parte de todos os envolvidos mencionados no caso.

Willer Tomaz negou ter obtido ilegalmente decisões ou pareceres sigilosos e afirmou que as insinuações são “infundadas” e “configuram desinformação”. O STJ informou que o caso envolve investigações sigilosas. Até a publicação da reportagem, não havia uma conclusão judicial que comprovasse as acusações contra os investigados, e as suspeitas precisam ser apuradas pelas autoridades competentes.

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