
Felipe Simas, confirmado no elenco da vindoura produção das 18h da TV Globo, compartilhou reflexões sinceras a respeito de sua jornada de conversão, da convivência em família e de como concilia a fé com a carreira artística. Na trama Lá na Minha Terra, ele interpretará o líder religioso Geison. O artista pontuou ter atendido a um “chamado”, ressaltando que suas convicções não o distanciam dos compromissos na teledramaturgia. Aos 33 anos, o ator é casado com Mariana Uhlmann e pai de três crianças.
Felipe revelou ter sido acolhido de braços abertos pelo grupo evangélico do qual faz parte. “Acho que todos nós temos um chamado. A forma como vamos exercer esse chamado é uma escolha nossa”, afirmou em entrevista ao jornal O Globo.
Ao abordar seu ambiente religioso, o ator enfatizou o apoio recebido: “Eu encontrei uma comunidade que me aceitou como eu sou, que nunca pediu para eu abrir mão da minha profissão e, ao mesmo tempo, sempre me deu a oportunidade de falar sobre aquilo que aconteceu comigo: essa experiência transcendente de passar a crer em Jesus. Eu acho que esse foi, para mim, o maior milagre que eu já experimentei, que é o milagre da crença, da fé”, declarou.
Ele explicou que não permite que seus preceitos fiquem no caminho de seus papéis: “A nossa televisão brasileira é muito expositiva. A nossa cultura tende a não preservar muito as imagens sexuais dos personagens, dependendo do horário, claro. Então, temos que estar disponíveis para isso. E faz parte da vida humana”, ponderou.
Sobre a preparação para papéis mais expostos, completou: “Eu, enquanto ator cristão, tenho que estar disponível para viver a totalidade do ser humano. Se eu topar o trabalho, tenho que fazer sem problemas. Mas isso já foi um problema aqui em casa, no sentido de falta de maturidade minha, de não saber lidar com isso. Hoje, é muito mais tranquilo. Eu sei a quem eu devo respeito. A minha esposa tem o meu respeito, a minha segurança e o meu amor. A gente entende que isso é um lado da profissão que faz parte”.
Quanto aos parentes que não compartilham da mesma religião, o artista destacou a importância da consideração mútua: “É respeito acima de tudo”, garantiu. “Eu tenho nos meus irmãos figuras de melhores amigos. Converso com eles sobre tudo que você imagina, inclusive sobre religião. Eu brinco que meus irmãos são os que mais afiam a minha própria fé, porque eles me questionam coisas que às vezes eu não sei responder enquanto cristão”, revelou.
Para ele, essas trocas fortalecem suas crenças: “Eles estão sempre me colocando contra a parede, no bom sentido, para eu ser verdadeiro com aquilo que eu falo e não viver uma religião de forma hipócrita. Acho que a coisa mais importante que um cristão pode fazer é conversar com as diferentes religiões”, ressaltou.
Por fim, Simas admitiu o receio inicial em expor sua espiritualidade: “Talvez por um preconceito que eu sei que existe. Mas depois que eu comecei a entender que esses meus preceitos me levavam a viver a vida que eu levo, a me relacionar com a minha esposa da forma como eu me relaciono e a educar os meus filhos como eu educo. Eu percebi que não tenho que ter vergonha disso”.