
O humorista cearense Aluísio Júnior relatou ter sido agredido junto com a esposa e o filho após a derrota do Fortaleza por 2 a 0 para o Vasco, na noite de quarta-feira (15), na Arena Castelão, em Fortaleza (CE). O caso ocorreu em meio à insatisfação de parte da torcida, que viu o clube se aproximar da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro.
Em vídeos publicados nas redes sociais, o comediante apareceu com curativos no rosto e afirmou que foi atacado por torcedores que acreditavam que ele receberia dinheiro do clube. “A galera pensa que o Fortaleza me paga. O Fortaleza não me paga nem um real, não me dá camisa, não me dá ingresso, não me dá nada. Eu que vou com o meu dinheiro”, declarou.
De acordo com o relato, Aluísio, a esposa Lili e o filho Pedro decidiram deixar o estádio antes do fim da partida para evitar tumultos. Durante a saída pelo setor premium, o humorista foi abordado por dois homens.“Um deles começou a gritar: ‘Aluísio, fraco o caralho, babando o Marcelo Paz [presidente do Fortaleza]’. Eu tentei sair, mas o outro veio na minha direção. A Lili tentou me defender e levou um empurrão. Ela caiu, ficou com a boca sangrando e o joelho machucado”, relatou.
CORVARDIA!
— TV Monólitos (@monolitos) October 16, 2025
O humorista Aluísio Júnior, reconhecido nacionalmente por personagens históricos, foi covardemente agredido na noite desta quarta-feira (15) após a derrota do Fortaleza para o Vasco no Castelão.
Além do artista, a esposa e o filho também teriam sido agredidos. pic.twitter.com/J7YiPOf9rc
O artista contou que reagiu ao ver a esposa ferida, mas foi contido pela equipe de segurança do estádio. “Ainda bem que as câmeras filmaram tudo. A segurança do Castelão correu para ajudar, mas não havia nenhum policial militar. Nenhum. Tivemos que ir andando até a delegacia. O pessoal do Fortaleza me levou”, afirmou.
Na delegacia, o humorista disse ter ouvido da Polícia Civil que o caso seria tratado como “agressor contra agressor”, já que houve confronto físico. A resposta, segundo ele, causou indignação. “Perguntei se não haveria punição, já que ele bateu na minha mulher. Disseram que não. Falaram que a lei Maria da Penha só vale se for com a própria esposa. Quer dizer que bater em outras mulheres pode?”, ironizou.
Aluísio informou que pretende seguir com os trâmites legais, incluindo a realização de exames no Instituto Médico Legal e o registro de boletim de ocorrência e termo circunstanciado. Ele também solicitou as imagens das câmeras do estádio para identificar os agressores. “Não vou expor ninguém. Hoje em dia, se eu boto a foto do cara, o errado sou eu”, disse.
A agressão ocorreu após a derrota que ampliou a crise no Fortaleza, atualmente ameaçado de rebaixamento. O clima no Castelão foi de revolta, com vaias e protestos contra dirigentes e jogadores.
Apesar da presença de seguranças privados, torcedores relataram a ausência de policiamento ostensivo na saída das arquibancadas — situação criticada por Aluísio e por outros presentes no estádio.
O g1 procurou a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) para comentar o caso e esclarecer se há investigação aberta, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
Reconhecido no humor cearense, Aluísio Júnior é criador de personagens populares, como Otília, e realiza apresentações em teatros e programas de televisão. Ele também é torcedor declarado do Fortaleza, clube que frequentemente homenageia em suas piadas.
O episódio, no entanto, mostra o limite entre a paixão clubística e a intolerância nas arquibancadas. Em meio à violência crescente nos estádios brasileiros, o caso reacende o debate sobre a responsabilidade das autoridades e das torcidas organizadas na preservação do ambiente familiar no futebol.