
A Nestlé anunciou nesta quinta-feira (16) um amplo plano de reestruturação global que inclui o corte de 16 mil postos de trabalho até 2027. O anúncio ocorre semanas depois da demissão do ex-CEO Laurent Freixe, afastado do cargo por manter um relacionamento com uma subordinada episódio que abalou a reputação da companhia suíça e expôs tensões internas sobre ética corporativa e governança.
O novo CEO, Philipp Navratil, declarou que a medida é “difícil, mas necessária” diante da desaceleração nas vendas e da necessidade de reduzir custos operacionais. Segundo comunicado oficial, 12 mil cargos administrativos serão eliminados e outros 4 mil serão afetados por medidas de reestruturação já em andamento.
A empresa espera economizar cerca de 1 bilhão de francos suíços por ano até o fim de 2027, o dobro do valor estimado em planos anteriores. A Nestlé registrou uma queda de 1,9% nas vendas nos primeiros nove meses de 2025, totalizando 65,9 bilhões de francos suíços (equivalentes a R$ 452 bilhões).
A demissão de Freixe, que trabalhou quase 40 anos na companhia, ocorreu após uma investigação interna confirmar seu relacionamento com uma funcionária do setor de marketing. O caso veio à tona por meio de denúncias anônimas feitas aos canais de compliance da Nestlé em maio deste ano.
Inicialmente, uma consultoria independente não encontrou irregularidades. No entanto, novos relatórios internos levaram a uma segunda apuração, que confirmou o envolvimento entre os dois. A companhia afirmou que o episódio violou o Código de Conduta da Nestlé, que proíbe relações hierárquicas para evitar conflitos de interesse.
Na Suíça, o escândalo dominou a imprensa local e reacendeu o debate sobre os limites entre vida pessoal e ambiente corporativo, além de levantar dúvidas sobre a atuação do conselho de administração diante de denúncias éticas.
Navratil, que ingressou na Nestlé em 2001 e já liderou operações no México e na América Central, tenta agora reconstruir a imagem da companhia e recuperar a confiança do mercado. Analistas, porém, avaliam que o desafio será duplo: conter os efeitos da crise interna e reverter a queda de desempenho em meio à retração global do consumo.
O corte massivo de empregos ocorre em um momento em que grandes multinacionais do setor de alimentos, como Unilever e Mondelez, também enfrentam queda nas margens de lucro e recorrem a reestruturações para manter competitividade.