Esposa de Delegado Ruy Ferraz rompe silêncio com revelações surpreendentes

Viúva de Ruy Ferraz conta os últimos dias do delegado antes de ser assassinado e fala sobre carro blindado

20/10/2025 às 10h25
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Delegado Ruy Ferraz - Reprodução: Redes sociais
Delegado Ruy Ferraz - Reprodução: Redes sociais

A esposa do Delegado Ruy Ferraz, assassinado em Praia Grande, no litoral paulista, quebrou o silêncio no último domingo (19), detalhando o falecimento do marido em entrevista exclusiva ao jornalístico "Domingo Espetacular".

Katia Pagani rememorou o instante em que tomou conhecimento do crime. “Retornei para minha residência do local de trabalho, meu aparelho telefônico vibrou de uma maneira atípica. Telefonei para ele prontamente, outra pessoa respondeu e me relatou o ocorrido”, desabafou a viúva.

Durante o depoimento, Katia ressaltou o empenho de Ruy Ferraz com sua vocação e mencionou o projeto derradeiro do oficial. “Em qualquer ocupação que exercesse, ele se portaria do mesmo modo. Assim como procurava a excelência na corporação policial, ele o fazia na administração municipal, ele não temia absolutamente nada”, asseverou.

A ausência de veículo protegido

A mulher do falecido também esclareceu o motivo de o delegado não estar em um carro blindado no dia do atentado, apesar da exigência de sua função. “Ele era muito obstinado, eu sempre o aconselhava: ‘companheiro, utilize um automóvel à prova de balas, por qual razão você não o faz?’ Ele acreditava que o veículo consumia muito combustível e, por essa razão, adquiriu um modelo mais simples para trabalhar”, contou Katia.

Dias que antecederam o evento fatídico

Conforme seu relato, Ruy evitava levar questões profissionais para o ambiente doméstico, embora estivesse inquieto com os rumos da apuração sobre fraudes em processos licitatórios na cidade. Ao ser indagada acerca do tópico, Katia manteve-se irredutível: “Não posso responder a essa indagação, por motivo de segurança”.

A companheira relatou ainda que, pouco tempo antes do homicídio, Ruy demonstrava nervosismo e ansiedade, mas supunha ser algo trivial devido à pressão inerente à função. “Ele passou alguns dias tenso, sobrecarregado, mas isso também ocorria quando era delegado-geral. Ele estava com o temperamento mais irritadiço e não me dava explicações; ele não passaria essa carga para mim”, explicitou.

O prefeito de Praia Grande, Alberto Pereira Mourão, comentou que o delegado poderia estar apreensivo em relação à própria segurança, em virtude de ameaças recebidas anteriormente.

O assassinato de Ruy Ferraz

Exatamente um mês antes, em 15 de setembro, o ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, à época secretário de Administração de Praia Grande, foi executado a tiros em uma cilada na Baixada Santista. O caso, de grande repercussão, permanece inconcluso. Até o momento, cinco indivíduos foram detidos por suspeita de participação na eliminação.

Segundo informações de fontes próximas à investigação, o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) trabalha com duas hipóteses principais:

  • Vingança de organizações criminosas, em especial o Primeiro Comando da Capital (PCC), facção que Ruy confrontou ao longo de sua trajetória na polícia.

  • Retaliação dentro da prefeitura, motivada pela fiscalização de um contrato de valor vultoso, R$ 24,8 milhões, destinado à expansão do sistema de videomonitoramento e acesso Wi-Fi do município.

Detenções e óbito de um suspeito

Além de Mascherano, quatro outros suspeitos estão sob custódia:

  • William Silva Marques, proprietário da residência utilizada como quartel-general do ato criminoso;

  • Rafael Marcell Dias Simões, o Jaguar, um dos atiradores;

  • Dahesley Oliveira Pires, apontada como responsável por buscar o armamento de grosso calibre empregado na execução;

  • Luiz Henrique Santos Batista, o Fofão, acusado de auxiliar na evasão.

Outro envolvido, Umberto Alberto Gomes, foi morto em confronto com a força policial no Paraná. Ele teria agido diretamente no ataque.

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