
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (20) que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve encerrar o mandato, em 2026, com o melhor resultado fiscal desde 2015. A projeção é de superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$ 34,3 bilhões.
Durante o lançamento do programa Reforma Casa Brasil, Haddad destacou que o equilíbrio das contas públicas tem sido buscado sem penalizar as classes mais vulneráveis.
“Pela primeira vez, nós resolvemos diminuir o déficit público cortando a bolsa do empresário, não cortando de quem vive de salário mínimo e precisa de moradia. Aqueles que moram na cobertura e não pagam condomínio, essas pessoas foram chamadas a contribuir”, declarou.
Pelas regras do arcabouço fiscal, o governo poderá registrar resultado neutro (déficit zero) caso não alcance o superávit projetado.
O evento marcou o anúncio de R$ 40 bilhões em crédito habitacional voltados a famílias de baixa e média renda. Do total, R$ 30 bilhões virão do Fundo Social, destinado a famílias com renda de até R$ 9,6 mil, e R$ 10 bilhões do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), voltado a rendas mais altas. Os recursos poderão ser usados para reformas, ampliações, compra de materiais e pagamento de mão de obra e serviços técnicos.
Durante o discurso, Haddad também comentou o impasse sobre o orçamento de 2026. Segundo o ministro, a Casa Civil e a Fazenda devem definir até esta terça-feira (21) as medidas alternativas à MP do IOF, para garantir o fechamento das contas do próximo ano.
O ministro criticou a falta de avanço no Congresso em projetos de redução de despesas, como a reforma da previdência dos militares e o projeto dos supersalários, ambos ainda parados.
“Essas coisas precisam dialogar uma com a outra, porque senão você vai ter problema de execução orçamentária. E tudo que nós não queremos é chegar ao ano que vem com problema de emenda, de interrupção de obra. Não tivemos nada disso durante três anos. Por que vamos, em função do calendário eleitoral, trazer problemas para o país? O país não precisa de problemas”, afirmou.
A declaração foi vista como uma resposta indireta ao senador Efraim Filho (União-PB), presidente da Comissão Mista de Orçamento, que vinha cobrando cortes de gastos mais profundos por parte do governo.
Com o superávit previsto e o novo programa habitacional, Haddad tenta equilibrar o discurso entre responsabilidade fiscal e investimento social, marca que o Ministério da Fazenda busca consolidar até o fim do mandato de Lula.