Moraes vota para condenar réus acusados de propagar fake news em trama golpista: “Milicianos covardes”

Ministro classificou o grupo como uma “milícia digital covarde” e apontou provas de que os acusados propagaram notícias falsas sobre o sistema eleitoral brasileiro; entenda

21/10/2025 às 13h16 Atualizada em 21/10/2025 às 13h18
Por: Mateus Pereira Fonte: Metrópoles
Compartilhe:
Imagem: Fotos Públicas
Imagem: Fotos Públicas

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou pela condenação dos sete réus acusados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de disseminar notícias falsas sobre as urnas eletrônicas. O julgamento do chamado “núcleo 4”, conhecido como grupo de desinformação, prossegue nesta terça-feira (21) na Primeira Turma do STF, dentro do processo que apura a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

De acordo com Moraes, relator do caso, estão comprovadas tanto a materialidade quanto a participação direta dos réus Ailton Moraes Barros (ex-major do Exército), Ângelo Denicoli (major da reserva), Giancarlo Rodrigues (subtenente), Guilherme Almeida (tenente-coronel), Marcelo Bormevet (agente da Polícia Federal) e Reginaldo Vieira de Abreu (coronel do Exército).

O ministro absolveu Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, engenheiro e presidente do movimento Voto Legal, das acusações de golpe de Estado, dano qualificado e deterioração do patrimônio tombado, mas o condenou pelos crimes de organização criminosa e atentado ao Estado Democrático de Direito.

Ao iniciar seu voto, Moraes relembrou 13 eventos ocorridos entre 2021 e 8 de janeiro de 2023, citados também no julgamento que condenou Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão. Segundo o ministro, os episódios demonstram o caminho até a execução do crime, em 8 de janeiro, quando a organização criminosa tentou impedir a posse do presidente Lula.

Durante a leitura, Moraes fez duras críticas ao grupo investigado:

É o modus operandi dessas milícias digitais: a covardia. Eles atacam não só a pessoa, mas a família. Milicianos covardes e criminosos que atacam a família.

Segundo as investigações da Polícia Federal, o grupo de desinformação divulgava fake news com o objetivo de desacreditar o sistema eleitoral e criar instabilidade política, buscando impedir que o presidente Lula assumisse o poder após a vitória nas urnas.

Quem são os réus

A maioria dos acusados pertence às Forças Armadas. Entre eles, está o ex-major Ailton Gonçalves Barros, expulso do Exército, apontado como um dos articuladores de discussões sobre um possível golpe militar com o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, Mauro Cid, em dezembro de 2022.

O julgamento segue com o voto do ministro Cristiano Zanin, que afirmou que a organização criminosa “tinha divisão de tarefas claras”, reforçando o caráter estruturado das ações do grupo.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários