Japão elege primeira mulher como primeira-ministra e quebra tradição centenária na liderança da nação

Sanae Takaichi assume o comando do país prometendo mais representatividade feminina, mas mantém posições conservadoras; entenda

22/10/2025 às 12h41 Atualizada em 22/10/2025 às 12h43
Por: Mateus Pereira Fonte: AFP
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Foto: Agência Brasil
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O Japão viveu um momento histórico na última terça-feira (21) ao eleger, pela primeira vez, uma mulher para o cargo de primeira-ministra. Sanae Takaichi, de 64 anos, foi nomeada pelo Parlamento após conquistar maioria no primeiro turno da votação, tornando-se a nova chefe de governo do país asiático.

Conservadora e firme em temas de segurança e política externa, Takaichi assume o cargo após fechar uma coalizão com o Partido da Inovação do Japão (PIJ), movimento necessário após a saída do partido Komeito, que rompeu com o governo por divergências ideológicas e denúncias de escândalos de financiamento.

Durante o discurso de posse, a nova premiê prometeu “reorganizar o Japão para as futuras gerações” e afirmou que pretende formar um gabinete com mais presença feminina, em contraste com os baixos índices de representação das mulheres no país. Segundo o Fórum Econômico Mundial, apenas 15% da Câmara Baixa japonesa é composta por mulheres.

Entre os nomes cotados estão Satsuki Katayama, para o Ministério das Finanças, e Kimi Onoda, para a pasta de Segurança Econômica, ambas conservadoras e próximas do ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, mentor político de Takaichi. Apesar do discurso de inclusão, ela mantém posições tradicionais, como a defesa da obrigatoriedade do mesmo sobrenome para casais e da exclusividade masculina na sucessão imperial.

Na política externa, Takaichi é vista como linha-dura em relação à China, embora tenha adotado tom mais moderado recentemente. Na próxima semana, ela terá o primeiro grande teste diplomático com a visita oficial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que pressiona o Japão a aumentar investimentos em defesa e reduzir laços com a Rússia.

Além dos desafios internacionais, a nova líder herda uma economia estagnada, uma população envelhecida e uma base parlamentar fragmentada, cenário que exigirá habilidade política e firmeza para implementar suas promessas e consolidar uma nova fase na história japonesa.

Imagem: Fotos Públicas
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