
O ex-presidente da Rússia e atual vice-presidente do Conselho de Segurança, Dmitri Medvedev, acusou nesta quinta-feira (23) o presidente norte-americano Donald Trump de colocar os Estados Unidos “na trilha da guerra contra a Rússia”. A declaração foi feita após o governo americano anunciar novas sanções contra as maiores petrolíferas russas, Rosneft e Lukoil, além de dezenas de subsidiárias.
Segundo Medvedev, as medidas econômicas impostas por Washington representam “um ato de guerra” e demonstram que os EUA deixaram de ser mediadores no conflito para se tornarem inimigos diretos. Em tom de provocação, o político afirmou:
Os EUA são nosso adversário, e seu ‘pacificador’ verborrágico agora está decididamente na trilha da guerra contra a Rússia.
O Kremlin reagiu após Trump cancelar a Cúpula de Budapeste e endurecer o discurso contra a compra de petróleo russo pela Europa. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, antecipou que novas sanções serão oficializadas até esta sexta-feira (24), como parte da pressão para que Moscou aceite um cessar-fogo imediato na guerra da Ucrânia.
Medvedev ironizou as justificativas americanas e afirmou que Trump está “totalmente alinhado com a Europa enlouquecida”. Ele ainda sugeriu que as medidas podem levar a uma escalada militar:
Essa nova guinada do pêndulo Trump tem, no entanto, uma vantagem importante - ela nos permite bombardear os esconderijos banderistas com todo tipo de arma sem negociações supérfluas nos frearem.
Em outro momento, o ex-presidente defendeu que a vitória russa deve ser conquistada “em terra, não atrás da mesa de um burocrata”, indicando resistência a qualquer tentativa de acordo diplomático.
As declarações ocorrem um dia após a Rússia realizar um grande exercício militar nuclear, com lançamentos de mísseis por terra, mar e ar. A demonstração de força foi vista como uma resposta direta à nova rodada de sanções e aumentou a tensão entre Moscou e Washington.