
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) solicitou a prisão preventiva do deputado estadual, Lucas Bove (PL). O pleito, deferido nessa quinta-feira (23), foi feito depois que o político desrespeitou reiteradamente as disposições de proteção judicial estabelecidas em benefício da ex-cônjuge, a produtora de conteúdo e professora de língua portuguesa, Cíntia Chagas, que o acusa de investidas violentas e intimidações desde o término do relacionamento.
No documento acusatório submetido à Justiça, o MPSP sinaliza indícios de coerção mental, importunação, intimidação e lesão corporal. Por causa da prerrogativa de foro, a promotoria também encaminhou um comunicado à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), solicitando que a Casa tome as “eventuais medidas apropriadas”. Em agosto, uma solicitação que visava a anulação do mandato de Bove havia sido encerrada.
Segundo a promotora, Fernanda Raspantini Pellegrino, o deputado ignora as ordens judiciais há cerca de um ano, mesmo após ser oficialmente notificado e advertido.
“O réu tem total conhecimento da necessidade de acatar as medidas protetivas, mas age como se não existisse determinação legal a ser cumprida”, salientou.
A representante do MPSP também asseverou que Bove fez postagens citando Cíntia e o processo, transgredindo a interdição imposta pelo Judiciário.
Agressões e Ameaças
O dossiê revela ocorrências de agressão física e psíquica supostamente cometidas entre agosto de 2022 e julho de 2024. Bove é acusado de atacar a então esposa, fazer ameaças de morte e até direcionar uma arma de fogo em sua direção, a pretexto de “brincadeira”. Em uma das situações, ele teria lançado um objeto cortante, atingindo a perna da influenciadora.
Cíntia narrou ainda ter sido vítima de desrespeitos em público, possessividade excessiva e fiscalização constante. Após a dissolução do casamento, Bove teria continuado a molestá-la, entrando em contato por meio de terceiros e utilizando até números da Alesp para burlar bloqueios telefônicos. As ações violentas e o comportamento dominador, conforme o MPSP, ocasionaram sérios prejuízos emocionais à ofendida.
Lucas Bove se manifestou nas mídias sociais após a divulgação do requerimento de reclusão. Segundo ele, a solicitação teria sido impulsionada por uma resposta que forneceu sobre fatos “já conhecidos”. O político afirmou que a Delegacia da Mulher desconsiderou a imputação de violência física, mantendo apenas o indiciamento por coerção psicológica, e alegou que um parecer que apontaria ausência de dano mental na vítima foi ignorado.
“Cíntia falou publicamente à imprensa sobre o episódio da faca, mesmo com segredo de Justiça, e nada acontece”, escreveu o membro do Legislativo. O assunto segue em avaliação pelo Judiciário.