
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), questionou a viabilidade financeira do projeto do governo federal que prevê tarifa zero no transporte público em todo o país. A proposta voltou a ganhar força na Câmara dos Deputados e deve ser uma das principais bandeiras da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026.
Em entrevista nesta quinta-feira (23), Nunes afirmou que não é contra a ideia, mas cobrou clareza sobre o financiamento do programa. “O custeio precisa ser apresentado de forma responsável. Não dá para fazer promessa sem dizer quem paga a conta”, declarou o prefeito.
Segundo o emedebista, o deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP), coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da Tarifa Zero, entrou em contato para discutir o tema. Nunes disse estar aberto ao diálogo, desde que haja garantias de que os municípios não serão sobrecarregados com os custos do transporte gratuito.
A menos de um ano do primeiro turno das eleições de 2026, o debate sobre tarifa zero reacende discussões políticas e orçamentárias. Pela Lei das Eleições, a criação de novos programas sociais em ano eleitoral é proibida, salvo quando já estiverem previstos em lei e com recursos assegurados no exercício anterior.
Durante a semana, Nunes esteve em Brasília para uma série de reuniões com autoridades federais. Além do transporte coletivo, ele discutiu a regulação do serviço de mototáxi, cuja liberação em São Paulo é alvo de disputa judicial.
Um projeto de lei em tramitação na Câmara obriga cidades com mais de meio milhão de habitantes a realizarem estudos de impacto antes de liberar o transporte de passageiros por motocicletas. Nunes reafirmou ser contrário à modalidade. “O mototáxi aumenta o número de acidentes de trânsito e não traz segurança aos passageiros”, disse.
Em setembro, o Tribunal de Justiça de São Paulo concedeu prazo de 90 dias para que empresas de aplicativo possam retomar as operações de mototáxi na capital, até que o serviço seja regulamentado. A Prefeitura informou que estuda recorrer da decisão.
O impasse reforça o desafio de equilibrar mobilidade urbana e segurança viária em meio a um ano que promete ser marcado por debates eleitorais e econômicos.