Bebê que chorou durante o próprio velório morre um dia após ser resgatado

Recém-nascido prematuro extremo foi declarado sem sinais vitais em maternidade de Rio Branco; Sesacre e Ministério Público investigam o caso

27/10/2025 às 11h23 Atualizada em 27/10/2025 às 15h37
Por: Natália Raquel
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Cemitério onde bebê recém-nascida iria ser enterrada. Divulgação/ TV Norte Acre
Cemitério onde bebê recém-nascida iria ser enterrada. Divulgação/ TV Norte Acre

Um recém-nascido inicialmente declarado morto pela Maternidade Bárbara Heliodora, em Rio Branco (AC), morreu neste domingo (26), após ter surpreendido familiares ao chorar dentro do caixão durante o próprio velório, na manhã de sábado (25). A informação foi confirmada nesta segunda-feira (27) pela Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre).

 

O bebê, que tinha 23 semanas e 5 dias de gestação — o equivalente a cinco meses de gravidez —, havia sido considerado natimorto pela equipe médica da maternidade na sexta-feira (24). Cerca de 12 horas depois, durante o velório, familiares ouviram o choro e o retiraram imediatamente do caixão. A criança foi levada às pressas de volta ao hospital, mas não resistiu às complicações da prematuridade extrema.

 

Em nota, a Sesacre lamentou o desfecho e reafirmou que o caso segue sob investigação. “Todos os protocolos de reanimação foram seguidos e o bebê foi declarado sem sinais vitais após parto normal. Ele foi reencaminhado à unidade no sábado e recebeu suporte intensivo até o falecimento, ocorrido no domingo”, informou o órgão.

 

Caso raro e de difícil recuperação

 

No sábado, a pediatra neonatologista Mariana Collodetti, que integrou a equipe responsável pelo atendimento, havia explicado que o bebê pesava 520 gramas e estava em estado grave, porém estável após ser reanimado.

 

“Trata-se de uma situação crítica. Realizamos intubação, cateterismo umbilical e medicações. Casos assim são raros, mas possíveis, já descritos na literatura médica”, afirmou na ocasião.

 

Família pede justiça

 

A tia do recém-nascido, Maria Aparecida, relatou que a mãe, moradora de Pauini (AM), havia viajado ao Acre devido a complicações na gestação. “Disseram que o bebê nasceu sem vida, colocaram num saco e levaram para o necrotério. No velório, pedi para abrir o caixão e ele estava chorando. Queremos justiça”, declarou.

 

A Polícia Militar registrou ocorrência e encaminhou o caso à Delegacia de Polícia Civil, que deve conduzir o inquérito. Segundo o tenente Israel, responsável pelo registro, a apuração será essencial para verificar se houve falha médica.

 

Investigações seguem

 

O Ministério Público do Acre (MP-AC), por meio da 1ª Promotoria Especializada de Defesa da Saúde, requisitou informações à maternidade e à Sesacre. O órgão afirmou que acompanha o caso “para garantir o total esclarecimento dos fatos e a responsabilização, caso sejam constatadas irregularidades”.

 

O episódio, que ganhou repercussão nacional, gerou comoção e indignação. O caso levanta questionamentos sobre os protocolos de atendimento em partos de alta complexidade e o manejo de bebês em situação de prematuridade extrema.

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