Ao lembrar de tentativa de golpe em encontro com Trump, Lula diz que Bolsonaro é “passado”. Você concorda?

Presidente brasileiro afirma que abordou tarifas impostas pelos EUA e explicou plano de atentado contra líderes políticos

27/10/2025 às 12h24
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa em cerimônia oficial na Indonésia — Foto: Willy Kurniawan/Reuters
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa em cerimônia oficial na Indonésia — Foto: Willy Kurniawan/Reuters

O chefe de Estado brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), revelou ter comunicado a Donald Trump, durante uma conferência em Kuala Lumpur, na Malásia, que o ex-presidente, Jair Bolsonaro, representa o "passado" no cenário político nacional. Segundo a declaração de Lula, ele salientou que o seu diálogo com o norte-americano se mantém sempre em uma perspectiva política, voltada para os benefícios do Brasil, e não em questões pessoais. "Rei morto, rei posto", proferiu o presidente.

A reunião, ocorrida no domingo (26) à tarde, tinha como assunto primordial as taxas alfandegárias aplicadas pelos Estados Unidos ao país sul-americano. Contudo, Lula também aproveitou a oportunidade para discutir outras questões, incluindo a situação de Bolsonaro, mencionada pelo presidente americano em uma missiva sobre a chamada "sobretaxa". Trump alegou que Bolsonaro foi alvo de perseguição pelo sistema de justiça do Brasil, e Lula esclareceu que o julgamento do ex-presidente se baseou em provas consistentes, sem interferência da oposição.

Durante a conversa, o petista ainda detalhou a seriedade do projeto de ruptura institucional ocorrido no final de 2022, que planejava ataques contra o líder eleito, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes. Ele ressaltou que os indivíduos envolvidos foram julgados com direito à ampla defesa, um privilégio que, segundo suas palavras, ele próprio não teve durante seu processo judicial.

Antes do encontro, Trump havia comentado sobre Bolsonaro de forma ponderada: "Sempre gostei dele. Sempre gostei dele. Sinto-me muito mal pelo que aconteceu. Sempre achei que ele era um cara honesto, mas, sabe, ele passou por muita coisa". De acordo com membros do governo brasileiro, quando Lula introduziu o tema, Trump escutou, demonstrou compreensão, mas não deu uma réplica direta.

O tête-à-tête consolida a estratégia da administração brasileira de abordar assuntos delicados da política interna, como o movimento golpista de 2022 e as sanções a autoridades, dentro do escopo das negociações econômicas e comerciais com os Estados Unidos, mantendo o canal de comunicação diplomática com o influente líder americano.

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