Kim Kataguiri sobre prisão de Bolsonaro: “Deve cumprir pena na cadeia e ir ao hospital quando necessário”. Concordam?

Kataguiri diz que mudou de opinião em relação a privatizações e que não apoiaria ninguém da família Bolsonaro

28/10/2025 às 11h35
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Compartilhe:
Kim Kataguiri - Reprodução: Estúdio Hertz - DF/BBC / BBC News Brasil
Kim Kataguiri - Reprodução: Estúdio Hertz - DF/BBC / BBC News Brasil

Uma década após a criação do Movimento Brasil Livre (MBL), impulsionado pelas grandes manifestações em apoio ao impedimento da então chefe de Estado Dilma Rousseff (PT) e em defesa do pensamento econômico liberal, um de seus mentores declara que o coletivo experimentou "por uma mudança de visão ideológica".

Atualmente deputado federal e prestes a inaugurar oficialmente um partido político próprio, com foco na eleição presidencial de 2026, Kim Kataguiri (União Brasil) revela ter reavaliado sua posição a respeito das vendas de estatais.

"Aquilo que é público, que funciona bem, não precisa ser privatizado", afirma o parlamentar à BBC News Brasil, direto de seu escritório em Brasília, adornado com miniaturas de animes, mangás e outros itens que remetem à cultura japonesa nas estantes.

O congressista tinha 19 anos quando emergiu como uma das figuras centrais do MBL. Hoje, ele exerce seu segundo mandato na Câmara e aguarda o registro formal da agremiação "Missão" junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O projeto para 2026, segundo ele, é lançar a sigla com um candidato próprio ao Palácio do Planalto: Renan Santos, igualmente cofundador do MBL.

Kataguiri não possui a idade mínima (35 anos) requerida para o cargo de presidente. Ele completará 30 no próximo ano. Por esse motivo, menciona que está em debate uma possível tentativa de concorrer ao governo de São Paulo, ou a busca por um terceiro período no Congresso Nacional.

"Estou na política para cumprir uma missão", declara.

Prestar apoio a um nome endossado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está descartado, assevera. Nem mesmo se houver a formação de uma coalizão ampla para tentar derrotar o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele prefere não votar a optar novamente por qualquer membro da família Bolsonaro.

"A família Bolsonaro é um projeto hegemônico de poder e que só está preocupada com si próprio. Não está preocupada com o país."

Para o deputado, que confessa ter feito um "voto útil" em Bolsonaro no segundo turno de 2018, essa foi a alternativa disponível naquele momento.

Mas, agora, o contexto é distinto. Se a bandeira de combate à corrupção concedeu força ao MBL para se consolidar como um dos principais movimentos de direita e de oposição ao PT, esta também foi a principal promessa que Bolsonaro fez e não cumpriu, na opinião dele.

"A promessa do enfrentamento à corrupção acabou a partir do momento em que ele precisou blindar o filho de uma investigação. E aí ele vendeu o país inteiro em troca dessa blindagem."

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários