
Aos 33 anos, Gabriela Loran vem conquistando espaço na televisão brasileira e comemorou seu primeiro papel em uma novela das 21h da TV Globo. Em "Três Graças", de Aguinaldo Silva, ela dá vida a Viviane, uma enfermeira trans, negra e periférica que promete ser uma das personagens centrais da trama, abordando temas como representatividade e diversidade.
Além de Três Graças, Gabriela já participou de "Malhação: Vidas Brasileiras" (2018) e "Renascer" (2024), além de protagonizar o longa português "O Último Animal", que lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Petrópolis e uma indicação no Los Angeles Brazilian Film Festival.
Nascida em São Gonçalo (RJ), Gabriela estudou Artes Cênicas na Casa das Artes de Laranjeiras. Aos 23 anos, iniciou sua transição de gênero ao mesmo tempo em que começava a carreira de atriz, ainda em trabalhos não remunerados. Para se sustentar, chegou a atuar como atendente de farmácia e garçonete.
Em 2024, ela realizou a cirurgia de redesignação de sexo na Tailândia e compartilhou a experiência nas redes sociais. Um dos vídeos mais marcantes da trajetória mostra o momento em que ela faz o primeiro xixi após a operação. “É uma emoção muito louca, meu Deus. Que felicidade, parece que estou voltando pra casa, parece que sempre fui assim”, declarou emocionada.
Gabriela Loran vive um romance com Ipojucan Ícaro, artista circense e vice-campeão do "No Limite" 2022. Eles se conheceram no fim de 2024, durante uma viagem à Bahia, e estão juntos desde então.
Com a inclusão de Gabriela Loran no elenco da nova novela das 21h da Globo, não é difícil encontrar pelas redes comentários repercutindo tanto de forma positiva quanto negativa sua atuação como também sobre a causa trans. Em entrevista ao Metrópoles, a atriz falou sobre o tema delicado.
Gabriela vê a oportunidade na obra como um grande marco em sua trajetória profissional. “Está sendo muito frutífera, porque é uma novela das 21h, do início ao fim, e marcando a volta do Aguinaldo Silva pra Globo, que é esse grande autor. Então está sendo uma responsabilidade muito grande e eu estou amando fazer”, contou.
Mas ela não se limita ao trabalho artístico. A artista também usa sua visibilidade para defender mais espaço para artistas trans na televisão.
A gente teve representatividade na penúltima novela das 21h (Renascer) e, agora, tendo essa personagem que também é central na trama, e carregando tudo que ela carrega - mulheres LGBT, negras, da periferia, da vida real - estamos conseguindo abrir portas. Mas não podemos nos acomodar, temos que continuar querendo mais.
Apesar do reconhecimento atual, Gabriela Loran não esconde que já enfrentou preconceito ao longo da carreira. Questionada sobre os ataques que recebeu ao tentar mostrar sua arte, desabafou:
Sem dúvida. Eu queria que olhassem um pouco mais pra mim como pessoa, como ser humano. Acho que a gente pode ter um olhar mais humano, pra que a gente possa mostrar representatividade com respeito.
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