
Mesmo com o discurso de preservação e defesa da Amazônia, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou aumento expressivo no desmatamento, superando os índices da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A análise foi publicada nesta terça-feira (28) pelo colunista David Fickling, da Bloomberg, que criticou a condução da política ambiental brasileira.
Segundo o artigo, Lula demonstra mais preocupação com a pauta verde do que Bolsonaro - apelidado de “Capitão Motosserra” -, mas os números mostram o oposto. Em 2024, o Brasil perdeu cerca de 4,4 milhões de hectares de cobertura florestal, sendo 2,8 milhões de áreas consideradas primárias e intocadas. O volume é o terceiro maior deste século e supera qualquer resultado registrado durante o governo Bolsonaro.
O texto reconhece que parte da destruição foi causada por incêndios, responsáveis por mais da metade das perdas, mas ressalta que a maioria desses focos teve origem humana. Com isso, a perda média anual de florestas primárias nos dois primeiros anos do atual governo é 24% maior do que na gestão anterior, desconsiderando o impacto da pandemia de covid-19.
Fickling aponta ainda que os incêndios florestais foram agravados pela paralisação prolongada de órgãos ambientais, que comprometeu o monitoramento e a fiscalização. Segundo ele, o impasse durou oito meses até ser resolvido, contribuindo para o avanço da devastação.
O articulista também destacou que, em agosto, Lula sancionou a Lei nº 15.190/2025, conhecida como Lei Geral do Licenciamento Ambiental, que, segundo ele, “afrouxou radicalmente as proteções ambientais” e fragilizou ainda mais a política de preservação no país.