Secretário do Rio diz que chefes do tráfico de outros estados estão entre 'narcotraficantes neutralizados' ao criticar STF

Curi diz que pelo menos um terço dos presos são de outros Estados; secretário citou limitação à atuação da polícia no RJ

31/10/2025 às 13h03
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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O secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi — Reprodução: Fabiano Rocha
O secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi — Reprodução: Fabiano Rocha

O secretário da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Felipe Curi, confirmou que líderes do tráfico de entorpecentes ligados ao Comando Vermelho (CV) estão entre os indivíduos que perderam a vida na grande intervenção policial ocorrida no território fluminense na última terça-feira (28). Em um encontro com a imprensa, ele fez críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou que a atuação da polícia possui restrições no estado.

Curi asseverou que a ação resultou em 117 "narcoterroristas neutralizados", ou seja, mortos, e que 99 deles já foram reconhecidos. Desse quantitativo, 40 são oriundos de outras unidades da federação:

  • 13 do Pará

  • 7 do Amazonas

  • 6 da Bahia

  • 4 do Ceará

  • 1 da Paraíba

  • 4 de Goiás

  • 1 de Mato Grosso

  • 3 do Espírito Santo

Do total de falecidos na operação, conforme o secretário, 42 possuíam mandados de prisão ativos e 78 exibiam registros criminais por delitos como assassinato, comércio ilegal de drogas, assaltos e associação criminosa.

Na sequência, ele declarou que a Polícia Civil havia emitido um alerta cinco anos antes, em junho de 2020, "com o advento das restrições e limitações às operações policiais", de que tal medida culminaria no reforço do poder do crime organizado. A autoridade se refere às normativas estabelecidas pelo STF na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, que regulamenta as incursões policiais em comunidades.

"Alertamos que as favelas se tornariam bases operacionais do crime organizado e o local convidativo para que lideranças de outros estados viessem para cá. Nós alertamos, nós avisamos e hoje está aqui a constatação disso", declarou.

Curi destacou que, até 2010, os complexos da Penha e do Alemão serviam como o quartel-general da facção apenas dentro do Rio de Janeiro, mas que, agora, verificou-se que a base se tornou de âmbito nacional. É a partir desses locais que partem todas as decisões e diretrizes da organização para os demais estados.

"A investigação e os dados de inteligência comprovam que são nesses complexos que são feitos treinamentos de tiro, tática de guerrilha, manuseio de armamento, computação desses marginais para serem 'formados' aqui e depois retornarem a seus estados de origem e fazerem a implementação da cultura da facção", disse.

"É preciso uma mobilização nacional no combate a essa organização que não é mais uma organização criminosa, é uma organização terrorista com práticas terroristas e táticas de guerrilha que dão ordens para a execução de desafetos e agentes públicos, que oprimem o morador da comunidade", complementou.

Ele também classificou a medida em vigor como "completamente desconectada da realidade" e "completamente branda e leniente". Curi ainda solicitou que ela seja revista para que as forças de segurança "possam dar uma resposta à altura".

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