Com 121 mortes em megaoperação, Rio tem plano de recuperar favelas dominadas pelo CV

Victor Santos, afirmou que o plano de retomada definitiva de áreas dominadas pelo crime será entregue ao governo federal em 20 de dezembro

31/10/2025 às 13h11
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Victor Cesar dos Santos, novo secretário de Segurança do Rio - Reprodução: Instagram
Victor Cesar dos Santos, novo secretário de Segurança do Rio - Reprodução: Instagram

Em meio às discussões acaloradas geradas pela grande intervenção policial denominada Contenção, que contabilizou 121 óbitos nos complexos da Penha e do Alemão, o secretário de Segurança Pública do Rio, Victor Santos, anunciou que o projeto para a recuperação permanente das áreas dominadas pela criminalidade será submetido ao governo federal no dia 20 de dezembro.

O planejamento atende a uma exigência da ADPF 635, proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que impõe limites às operações policiais em favelas fluminenses e demanda a implementação de ações estruturais de longo prazo.

A declaração foi proferida nesta sexta-feira (31), durante um encontro com a imprensa na Cidade da Polícia, na zona norte da capital, onde foram apresentados dados atualizados sobre as vítimas fatais da ação. Segundo a Polícia Civil, 99 criminosos já foram formalmente reconhecidos, 78 deles possuíam histórico criminal significativo e 40 eram provenientes de outras unidades da federação, incluindo chefes do Comando Vermelho que atuavam no Pará, Amazonas, Bahia, Goiás, Espírito Santo, Ceará e Paraíba.

Santos reforçou que a iniciativa da terça-feira, que mobilizou mais de 2,5 mil agentes, concentrou-se na liderança da facção e expôs uma questão que, em sua opinião, deixou de ser restrita ao âmbito local:

“O Rio virou centro de formação do crime nacional. Traficantes de fora vêm se esconder, se fortalecer e depois retornam para expandir o Comando Vermelho em seus estados.”

“A solução não é ocupar, é retomar”

O secretário enfatizou que a tática do estado deve ir além de incursões esporádicas, pois o efetivo das forças policiais não é suficiente para manter ocupações prolongadas em centenas de comunidades sob controle de facções e milícias.

“Estado nenhum no Brasil tem condições de fazer de forma permanente ocupação dentro de comunidades. Se a gente pegar todo o efetivo e dividir pelas comunidades, daria sete policiais por comunidade. A solução não é a ocupação. A solução é a retomada.”

A recuperação definitiva, explicou, requer a reconstituição dos serviços públicos, o controle territorial pelo Estado e a articulação com políticas federais em áreas como inteligência, vigilância de fronteiras, sistema prisional e combate à lavagem de dinheiro.

O compromisso de entregar o plano ao governo Lula ocorre em meio a críticas de especialistas e organizações de direitos humanos sobre a elevada quantidade de mortes na operação, considerada a mais letal da história do país. Em contrapartida, o governo estadual carioca sustenta que a ação impediu que a capital se estabelecesse definitivamente como o QG nacional do Comando Vermelho.

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